Dono de cartório goiano foi morto em trama de esposa com amante
Segundo inquérito policial, Alyssa Martins de Carvalho começou a pensar no assassinato do marido após descobrir traições dele com gays

Alyssa Martins de Carvalho, de 32 anos, admitiu ser a mandante do assassinato do marido, o dono de cartório Luiz Fernando Alves Chaves, de 40, e revelou à Polícia Civil que decidiu encomendar a morte dele por R$ 100 mil após descobrir supostas traições deles com gays. O crime ocorreu no dia 28 de dezembro de 2021, em Rubiataba (210 km da Capital).
A viúva foi presa no dia 30 de dezembro, em Goiânia, após os executores confessaram que foram pagos por ela. Em depoimento, ela relatou que decidiu se separar logo após descobrir os relacionamentos homoafetivos do marido. As relações extraconjugais teriam ocorrido enquanto ela estava grávida da filha mais nova, de 3 anos.
No entanto, Luiz Fernando teria começado a fazer ameaças para que ela não acabasse o casamento de quase nove anos, dizendo que ela não ficaria com os filhos, e teria, inclusive, a agredido fisiamente. A mulher alegou não ter denunciado o marido por medo de prejudicar as finanças do casal.
Com a descoberta da traição, Luiz Fernando teria proposto um relacionamento aberto, onde os dois poderiam se envolver com homens e mulheres. O inquérito, obtido pelo Metrópoles, mostra que Alyssa começou a se envolver com a comerciante Ana Claudia da Silva Rosa, de 33, que também foi presa, em julho de 2021.
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Elas teriam iniciado uma amizade mas, em outubro, começaram a se relacionar sexualmente. O relacionamento foi se tornando mais íntimo e Alyssa começou a contar sobre as agressões físicas e as ameaças do marido, dizendo sobre a ideia de se vingar do dono do cartório.
Ainda conforme o inquérito, Alyssa não via outra saída. "Seria ela - suicídio - ou ele", diz o documento. A companheira, no entanto, teria tentado convencer a mulher a não continuar com o plano mas, após saber de que Luiz Fernando continuava ameaçando Alyssa e não a deixava sair de casa, Ana Claudia concordou com a vingança.
A comerciante teria, inclusive, iniciado o planejamento do crime e contactado Luzimar Francisco Neves, o "Chefe", que ainda está foragido. Ele foi responsável por contratar os dois executores.
A situação teria ficado insustentável para a viúva dois dias antes do crime, quando o dono do cartório empurrou uma das filhas. Além disso, ela alegou que o homem batia nas crianças para fazer elas comerem. Por isso, na noite do dia 27 de dezembro, ela se encontrou com a companheira e entregou os dois controles do portão e a chave da residência, usados pelos criminosos para invadir a casa.
Entenda o caso
De acordo com a ocorrência, dois bandidos invadiram a casa de Luiz Fernando na noite de terça-feira (28), utilizando os controles remotos para abrir o portão, entregues à Ana Claudia, no momento em que a vítima estava sozinha estudando em um curso online, enquanto a esposa e os filhos, uma de 5 anos e gêmeos de 3 anos, estavam na igreja.
O tabelião foi rendido, colocado em seu próprio automóvel, uma caminhonete Toyota Hilux, e levado para a região de Uruana, em São Patrício, onde foi jogado no canavial e alvo de 7 tiros à queima-roupa.
Um carro trafegando em “altíssima velocidade” e com todas as luzes apagadas chamaram atenção dos vizinhos da vítima, que acionaram a Polícia Militar (PM). Mais tarde, com o encontro do cadáver e contato com a família do tabelião, foi constatado o sequestro e o assassinato.
Durante as investigações e buscas entre a noite de terça (28) e quarta-feira (29), dois bandidos, 21 e 23 anos, foram localizados durante tentativa de fuga em Carmo do Rio Verde, ainda na região do Vale de São Patrício, onde foram presos por envolvimento no crime.
Em depoimento, os assassinos teriam afirmado que eram de Pirenópolis, tinham sido contratados para levar a “encomenda” a Anápolis e que receberiam R$ 5 mil pela execução e mais R$ 5 mil depois, com a venda da Hilux.
O fato de a esposa da vítima não ser religiosa e justamente nesse dia ir com os três filhos à igreja, também chamou a atenção dos policiais no início das investigações. Por isso, ela foi considerada suspeita desde o início.

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