Dentista que dava curso de "cirurgias proibidas" deformou pelo menos 21 pacientes
Outros três dentistas também foram indiciados por exercício ilegal da medicina e crimes contra o consumidor em Goiânia

A Polícia Civil (PC) indiciou a dentista Hellen Kacia Matias da Silva por deformar pacientes após a realização de procedimentos estéticos que só podem ser feitos por cirurgiões plásticos. Em conversas divulgadas pelos investigadores, pacientes reclamam de inflamações, cicatrizes e assimetria nos resultados.
Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Consumidor (Decon) já apurou um total de 21 pessoas vítimas de lesões corporais gravíssimas e infrações contra a saúde pública e contra as relações de consumo supostamente praticadas pela acusada.
Outros três dentistas também foram indiciados por exercício ilegal da medicina e crimes contra o consumidor.
Hellen Kacia segue em prisão preventiva, tendo o Poder Judiciário negado o pedido de revogação da prisão.
Outros três dentistas também foram indiciados por exercício ilegal da medicina e por crimes contra o consumidor. Porém, os nomes deles não foram divulgados e, por isso, o g1 não localizou as defesas para pedir um posicionamento. Em nota, o Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CRO-GO) disse que “medidas administrativas pertinentes foram tomadas”.
Entenda o caso
A prisão de Hellen aconteceu no dia 30 de janeiro, a partir de evidências de que ela deformou o rosto de pacientes ao realizar cirurgias estéticas expressamente proibidas pelo Conselho Federal de Odontologia, tais como: alectomia (redução do nariz); retirada de pele excessiva dos olhos (blefaroplastia); lipo de papada (face lifting) e outros.
A investigação teve início em setembro de 2023, após a Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Consumidor (Decon) ter recebido denúncias de que Hellen e outros três dentistas estavam exercendo ilegalmente a medicina.
Segundo a delegada Débora Melo, responsável pela investigação, todos os procedimentos estéticos feitos por Hellen eram anunciados nas redes sociais da dentista por valores abaixo do mercado, atingindo um grande número de pessoas.
“A análise do celular e dos prontuários dos pacientes indicou o cometimento desses crimes contra pessoas muitas vezes humildes, que juntavam dinheiro para fazer uma cirurgia estética, que não tinham conhecimento que a profissional não tinha atribuição e que ficaram deformadas”, afirmou a delegada.
Defesa da Dentista
Em nota, a defesa da dentista afirmou que dos 21 pacientes ouvidos no inquérito, só foram produzidos dois laudos de Auto de Corpo de Delito - prova técnica para dar base às acusações impostas. Enfatizou ainda que o primeiro deles não concluiu pela existência de lesão e o segundo apontou que a blefaroplastia foi feita por outra profissional.
"O atendimento feito pela nossa cliente foi em caráter reparador dentro das competências do cirurgião Buco Maxilo Facial, havendo melhora relatada pela suposta vítima no quadro tratado”, reforçaram os advogados da dentista, Caroline Arantes, Thaís Canedo e Vinicius Xingo.
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Íntegra nota da defesa
“Os advogados da odontóloga Hellen Matias – Caroline Arantes, Thaís Canedo e Vinicius Xingo –explicam que dos 21 pacientes ouvidos no inquérito, só foram produzidos dois laudos de Auto de Corpo de Delito, que é a prova técnica para dar base às acusações impostas. O primeiro deles não concluiu pela existência de lesão e o segundo apontou que a blefaroplastia foi feita por outra profissional.
“No primeiro laudo, já se exclui totalmente o crime de lesão corporal. Já o segundo laudo deixa claro que a paciente teve 4 intervenções de outra profissional. Ou seja, a paciente fez uma blefaroplastia realizada por outra profissional e a nossa cliente apenas fez a correção de um procedimento realizado anteriormente. Reiteramos que o atendimento feito pela nossa cliente foi em caráter reparador dentro das competências do cirurgião Buco Maxilo Facial, havendo melhora relatada pela suposta vítima no quadro tratado.”, reforça a defesa.
A defesa também esclarece, que diferente do que foi publicado na imprensa, o pedido de soltura da odontóloga não foi negado, mas está sendo analisado dentro do prazo para decisão”.

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