Delegado revela indícios que empresária que matou "amigo" coleciona facas e levou duas para encontro; veja
Polícia diz que recebeu fotografias indicando que a investigada colecionava facas, mas ressalta que ainda não há elementos para afirmar que o crime foi premeditado

Renata Oliveira, proprietária do imóvel, estava no local acompanhada da companheira e consumia bebidas alcoólicas com a vítima.
Os investigadores que apuram o assassinato do jornalista e colunista Delson Carlos Henrique de Lima Barros afirmaram ter recebido novos indícios que podem ajudar a esclarecer a dinâmica do crime. Segundo o delegado responsável pelo caso, a Polícia Civil recebeu fotografias indicando que Renata de Almeida Pedreira e Souza, presa pelo homicídio, colecionava facas e teria levado pelo menos duas delas dentro da mochila ao apartamento onde ocorreu a confraternização que terminou em morte.
Apesar da informação, o delegado fez questão de destacar que a investigação ainda não concluiu que houve planejamento do crime. Segundo ele, os depoimentos colhidos até agora não sustentam a hipótese de premeditação.
"Eu vou tentar reinquiri-la. Depois que nós colhermos esses novos depoimentos e que nós consigamos entender melhor a dinâmica, nós vamos tentar até porque é uma forma dela dar a versão dela e talvez ela possa esclarecer melhor as coisas. Mas há indícios de fotografias que nós recebemos que ela colecionava facas e já teria levado na mochila que ela chegou ali pelo menos duas facas. Nós não podemos descartar nada e está sendo investigado, mas o que narraram as duas testemunhas não indicam a premeditação", afirmou.
A declaração foi feita após a Polícia Civil ouvir, nesta segunda-feira (27), a principal testemunha do caso: Márcia Maria Carole, companheira da investigada. Ela também foi ferida durante a confusão e prestou depoimento como vítima. Ao deixar a Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH), preferiu não conversar com a imprensa.
Conforme relatou aos investigadores, a discussão começou dentro do apartamento onde Delson morava, no Setor Bueno, e terminou em violência. Márcia afirmou que tentou impedir as agressões após Renata atingir o jornalista com uma facada no tórax. Durante a tentativa de intervenção, ela sofreu cortes no ombro e no antebraço.
Mesmo gravemente ferido, Delson ainda conseguiu correr do sétimo para o quinto andar acompanhado da testemunha. Segundo o depoimento, Renata chegou a persegui-los pelos corredores antes de retornar ao apartamento e se trancar. No quinto andar, o jornalista caiu e morreu antes da chegada do socorro.
As investigações apontam que a motivação do homicídio teria sido uma discussão envolvendo o apartamento onde a vítima morava. De acordo com o delegado, Renata era proprietária do imóvel, que havia sido emprestado ao jornalista, amigo dela havia mais de dez anos.
A polícia apurou que Renata pretendia reaver o apartamento e já havia tratado do assunto com Delson. Inicialmente, os dois teriam chegado a um acordo para que ele deixasse o imóvel quando estivesse organizado. Entretanto, durante uma confraternização na noite de sexta-feira (24), o tema voltou à discussão.
Segundo os investigadores, as testemunhas afirmaram que os envolvidos consumiram grande quantidade de bebida alcoólica e já estavam em avançado estado de embriaguez quando o desentendimento recomeçou. Ainda conforme os relatos, Delson não pagava aluguel pelo imóvel.
Após o ataque, Renata permaneceu trancada no apartamento por mais de três horas e resistiu à prisão. A negociação terminou somente depois que equipes policiais utilizaram um explosivo para arrombar a porta do imóvel.
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No sábado (25), a suspeita passou por audiência de custódia. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva. A Justiça considerou que a manutenção da prisão também serviria para preservar a integridade da companheira da investigada, apontada como principal testemunha do caso.
Além de Márcia, a Polícia Civil também já ouviu o companheiro de Delson, que havia saído do apartamento pouco antes da confusão. Outras testemunhas ainda serão interrogadas, e o delegado informou que pretende concluir o inquérito em até dez dias.
O corpo do jornalista foi liberado pelo Instituto Médico Legal apenas na tarde desta segunda-feira (27), após a confirmação da identidade. Segundo o IML, havia divergências entre documentos emitidos no Maranhão e em Goiás, o que atrasou o procedimento. O velório e o sepultamento estão previstos para esta terça-feira (28).
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