Delegado que prendeu advogada em Cocalzinho é transferido após polêmica
Polícia atende pedidos da OAB-GO e determina, em portaria, que delegados se abstenham de atuar em casos nos quais estejam pessoalmente envolvidos.

A advogada Áricka Cunha foi presa na quarta-feira (15), após publicar nas redes sociais críticas ao arquivamento de um boletim de ocorrência.
O delegado Christian Zilmon Mata dos Santos não atua mais em Cocalzinho de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. Em decisão oficializada nesta quarta-feira (22), o Conselho Superior da Polícia Civil determinou o afastamento imediato do servidor de suas funções na cidade, ordenando sua transferência para Águas Lindas de Goiás, também no Entorno.
A saída de Zilmon ocorre em meio a uma forte pressão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-GO), que denunciou abusos de autoridade que teriam sido cometidos pelo delegado contra a advogada Áricka Cunha. O afastamento foi determinado "de ofício" (por iniciativa da própria Polícia) e sem direito ao prazo de trânsito, o que obriga o delegado a deixar a cidade e se apresentar na nova unidade imediatamente.
Paralelamente à remoção, a Diretoria Geral da Polícia Civil expediu a portaria n.º 323/2026 em que veda aos delegados conduzir investigações ou efetuar prisões em ocorrências nas quais possuam envolvimento pessoal. A medida visa garantir a imparcialidade do trabalho policial, prevenindo que o vínculo emocional da autoridade interfira na isenção das ações.
Para o presidente da OAB-GO, Rafael Lara, a decisão foi encarada como uma vitória. “A nova regra garante que a função pública não seja usada para perseguições pessoais. O Estado de Direito exige que as investigações sejam técnicas e imparciais”, destacou.
Entenda o caso
A advogada Áricka Cunha foi presa na quarta-feira (15), após publicar nas redes sociais críticas ao arquivamento de um boletim de ocorrência que havia registrado por difamação. Um vídeo mostra o momento em que ela é detida pelo delegado. Ela foi liberada após o pagamento de fiança no valor de R$ 10 mil. Segundo ela, o delegado teria se sentido ofendido com a publicação, embora, de acordo com sua versão, não tenha havido menção direta à autoridade.
Por sua vez, o delegado Christian Zilmon afirmou que a advogada foi autuada por desacato e também teria cometido difamação e desobediência. “Ela disse que a autoridade policial não tinha capacidade para conduzir o caso e que teria algum problema mental. Depois, descontrolada, se recusou a obedecer ordens, o que caracterizou desobediência. Foi necessário o uso de algemas”, declarou.
O delegado disse ainda que a prisão ocorreu na condição de cidadã, e não de advogada, após a polícia tomar conhecimento de publicações que, segundo ele, continham “insinuações mentirosas” contra sua atuação.














