Criminosos de Goiás prometem lucros de 6000% e faz vítimas no Sul
Apenas uma mulher teve prejuízo de R$ 4 milhões, pelo menos 40 pessoas foram vítimas do esquema

Uma operação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul desarticulou parte de uma organização criminosa especializada no golpe do falso investimento, que causou prejuízo de dezenas de milhões de reais a vítimas em todo o país. Três suspeitos foram presos nos estados de São Paulo e Goiás. Segundo a investigação, o grupo mantinha conexões no Camboja e atuava de forma altamente estruturada para aplicar fraudes financeiras e lavar dinheiro.
De acordo com a polícia, ao menos 40 pessoas foram vítimas do esquema. Durante a ofensiva, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de contas bancárias de 85 pessoas físicas e jurídicas. A Justiça também determinou o sequestro de veículos e de carteiras de criptoativos em 17 corretoras.
Entre os presos está um homem conhecido como “chinês”, morador de São Paulo, apontado como responsável pela habilitação das linhas telefônicas usadas nos golpes. Conforme a Polícia Civil, ele chegava a ativar cerca de mil números de celular por dia, viabilizando o contato dos estelionatários — que operavam, em parte, a partir do Camboja — com vítimas brasileiras. Outros dois detidos são operadores financeiros e sócios de empresas com sede em Goiânia.
As investigações indicam que o grupo criminoso era dividido em quatro núcleos especializados. O primeiro era responsável pela captação das vítimas, utilizando linhas telefônicas registradas em nome de terceiros, ativadas remotamente com dados cadastrais vazados na internet. O segundo núcleo cuidava exclusivamente da ativação dos chips, usando milhares de linhas “fantasmas” para dificultar o rastreamento.
Já o núcleo de gestão e lavagem de capitais operava por meio de empresas de fachada, muitas delas recém-criadas, com capital social incompatível com a renda declarada dos sócios e sem sede física identificável. Uma dessas empresas movimentou mais de R$ 2,2 milhões em menos de um mês. O quarto núcleo era encarregado da conversão dos valores ilícitos em criptoativos, com transferências milionárias feitas em curto espaço de tempo — em um único dia, mais de R$ 7 milhões foram usados na compra de criptomoedas.
O caso veio à tona após uma vítima do Rio Grande do Sul relatar ter sido enganada por uma suposta consultoria de investimentos. O primeiro contato ocorreu por meio de anúncios patrocinados em redes sociais, que prometiam alta rentabilidade no mercado financeiro. A vítima foi incluída em um grupo de WhatsApp com dezenas de participantes, onde falsos investidores e “professores” compartilhavam dicas e resultados positivos.
Inicialmente, os golpistas orientavam aplicações reais em plataformas nacionais, gerando pequenos lucros para conquistar a confiança. Em seguida, induziam a migração para investimentos em criptomoedas, direcionando as vítimas a uma plataforma fraudulenta. Os valores eram enviados via PIX para contas de empresas ligadas ao esquema e, posteriormente, exibidos como criptoativos com saldos e lucros artificialmente inflados.
Segundo a polícia, o grupo prometia rentabilidades irreais, que chegavam a 6.000%, e manipulava as operações para forçar novos aportes. Após ciclos de ganhos fictícios, as vítimas passavam a registrar perdas repentinas, atribuídas pelos criminosos a supostos erros operacionais dos próprios investidores.
Os investigados podem responder pelos crimes de estelionato com fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro. As apurações continuam para identificar outros envolvidos e recuperar os valores desviados.

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