Clínica do horror: pacientes eram dopados à força e sofriam tortura, diz polícia - assista
Fiscalização encontrou comida podre, drogas, medicamentos vencidos e internos vivendo em situação degradante em clínica de reabilitação no Buriti Sereno

De acordo com a polícia, o cenário encontrado no local era “assustador”.
Uma operação da Polícia Civil, com apoio da Vigilância Sanitária e da Polícia Técnico-Científica, terminou com a prisão de dois responsáveis por uma clínica de reabilitação no Jardim Buriti Sereno, em Aparecida de Goiânia. Segundo as investigações, internos eram submetidos a torturas físicas e psicológicas, além de serem sedados à força dentro da unidade. A fiscalização encontrou ainda medicamentos vencidos, alimentos deteriorados, drogas e alojamentos em condições consideradas sub-humanas.
De acordo com a polícia, o cenário encontrado no local era “assustador”. Os pacientes relataram que sofriam agressões constantes e eram mantidos sob práticas criminosas para impedir que deixassem a clínica. Um dos presos era um paciente da própria unidade que, segundo a investigação, atuava a mando do proprietário aplicando castigos, agressões e medicações sem consentimento dos internos.
Durante a inspeção, os agentes identificaram que não havia médico, enfermeiro ou qualquer profissional habilitado acompanhando os tratamentos. Mesmo assim, medicamentos eram administrados nos pacientes de forma irregular. A polícia também apreendeu celulares, remédios sem controle adequado e porções de cocaína e maconha encontradas dentro da clínica.
Além das denúncias de violência, a Vigilância Sanitária encontrou alimentos estragados, forte cheiro de comida podre, presença de insetos e dormitórios em situação insalubre. “Encontramos um estado bem diferente do habitual e foram inutilizados muitos alimentos que estavam em caráter não adequado com a legislação”, afirmou um profissional da Vigilância Sanitária. Segundo ele, também foram apreendidos medicamentos sem receita e armazenados fora das normas sanitárias.
Ainda conforme a fiscalização, os familiares dos internos foram acionados para retirar os pacientes da unidade, o que evitou a necessidade de interdição do local. A Polícia Civil descobriu ainda que o dono da clínica já possui histórico de maus-tratos em outras unidades semelhantes.
Os dois suspeitos foram levados para a delegacia de Aparecida de Goiânia e devem responder por tortura, sequestro, cárcere privado e adulteração de produtos terapêuticos.














