Clientes denunciarem prejuízos de R$ 700 mil e construtora de Goiânia vira alvo da polícia; veja
Polícia Civil cumpriu mandados em Goiânia, apreendeu celulares e documentos e investiga supostas medições falsas, atrasos nas obras e uso de materiais inferiores. Justiça bloqueou R$ 1,5 milhão em bens para tentar ressarcir vítimas

As investigações continuam e a Polícia Civil não descarta o surgimento de novas vítimas.
Pelo menos três consumidores procuraram a Polícia Civil denunciando prejuízos que variam entre R$ 240 mil e R$ 700 mil após contratarem uma construtora para realizar o sonho da casa própria. As reclamações deram origem a uma investigação da Delegacia Estadual de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor (DECOM), que nesta terça-feira deflagrou uma operação contra a empresa em Goiânia.
Segundo a delegada Débora Mello, responsável pelo caso, as investigações começaram há cerca de um ano, após vítimas apresentarem relatos semelhantes envolvendo obras em condomínios residenciais horizontais. A empresa investigada é a Construtora Diretriz, cujo nome foi divulgado pela polícia por interesse público.
De acordo com a investigação, os clientes recebiam relatórios mensais indicando que as construções avançavam normalmente, com percentuais de execução que chegavam a 30%, 40% ou 50%. No entanto, quando a data de entrega se aproximava, os proprietários descobriam que pouco ou quase nada havia sido efetivamente construído.
“Os consumidores acreditavam que a obra estava andando bem. Quando chegava perto da entrega, verificavam que praticamente nada tinha sido feito”, afirmou a delegada.
Diante dos indícios levantados, a Justiça determinou o sequestro de bens no valor de R$ 1,5 milhão para garantir eventual ressarcimento às vítimas. Durante a operação, policiais cumpriram três mandados de busca e apreensão, sendo um na sede da construtora e dois nas residências dos sócios.
Celulares, notebooks e documentos foram recolhidos e passarão por análise. A expectativa da polícia é identificar outros possíveis envolvidos e descobrir se há mais consumidores prejudicados.
Segundo a delegada, a divulgação da operação também busca incentivar novas denúncias. A investigação aponta que a empresa já responde a 36 ações cíveis na Justiça, muitas delas relacionadas a reclamações semelhantes sobre atrasos e problemas na execução das obras.
Além das suspeitas de fraude nas medições, a polícia apura denúncias sobre a qualidade dos materiais utilizados nas construções. As vítimas apresentaram laudos técnicos particulares indicando falhas estruturais e divergências entre os produtos contratados e os efetivamente empregados nas obras.
Um dos exemplos citados pela investigação envolve revestimentos de padrão inferior ao previsto em contrato. Segundo a polícia, materiais anunciados como de alto padrão teriam sido substituídos por versões mais baratas, o que pode caracterizar superfaturamento e aumentar ainda mais os prejuízos aos consumidores.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi uma cláusula contratual que impedia os clientes de manter contato direto com funcionários das obras, incluindo mestres de obras e demais trabalhadores.
Conforme a DECOM, o contrato determinava que toda comunicação deveria ocorrer exclusivamente entre os consumidores e os sócios da empresa. Para a polícia, essa restrição pode ter sido utilizada para dificultar que os clientes tivessem acesso à situação real das construções.
“Esse impedimento é uma forma de garantir a omissão de informações, para que os consumidores não soubessem qual era o verdadeiro estado da obra”, afirmou Débora Mello.
As investigações continuam e a Polícia Civil não descarta o surgimento de novas vítimas nem o aprofundamento das apurações sobre o suposto esquema.













