Cliente do Ifood pede entregador branco: “não gosto de pretos ou pardos”
Ocorrência foi registrada na última quinta-feira (03), em Goiânia, quando a mulher negou ter escrito a menagem, acusou o marido e depois tentou “enrolar” o entregador.

Uma mulher, nome não divulgado, é investigada pelo Grupo Especializado no Atendimento às Vítimas de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Geacri) após fazer pedido no aplicativo de “comida” Ifood, na última quinta-feira (03), em Goiânia, e pedir que o estabelecimento não enviasse entregador “preto” ou “pardo”.
De acordo com a ocorrência, a confeitaria recebeu, por meio do aplicativo, o pedido de cinco bolos de pote. A compra fechou em R$ 62,95. Na observação a “cliente” escreveu:
“Por favor, mandem um entregador branco, não gosto de pretos nem pardos. Venham rápido”.
A proprietária do estabelecimento relata que recebeu a mensagem de forma constrangedora e se sentiu indignada com o “pedido” da mulher.
"Recebemos esse pedido [na quinta-feira (3)]. Completamente constrangedor e desumano. Fiquei tão desconcertada que até pedi desculpas para o motoqueiro quando ele veio buscar o pedido", disse.
Explicou ainda que após o entregador voltar da entrega perguntou quem tinha recebido o pedido e que ele explicou que foram duas mulheres. Ainda que as “acusadas” disseram que fizeram o pedido, mas que não escreveram a “mensagem”.
Uma delas teria dito que foi o “marido” o responsável, mas depois negou e tentaram “enrolar” para explicar o que tinha acontecido.
A empresária disse que não fez denúncia à polícia, pois, queria deixar essa decisão por conta do entregador com receio de “constrange-lo” mais.
No entanto, o fato foi denunciado ao Ifood, que se pronunciou sobre o caso e disse que “lamenta o caso e reforça que repudia qualquer ato de discriminação”. Ressaltou ainda que abrirá processo de investigação interno para que as devidas providências sejam tomadas, incluindo o “descadastramento” do cliente no aplicativo.
O delegado Joaquim Adorno, responsável pelas investigações, explicou que não recebeu denúncia direta sobre o caso, mas que se trata de uma situação de “crime de ação pública incondicionada” e que, de tal forma, a polícia tem a obrigação de apurar, uma vez que esse tipo de conduta configura prática, incitação ou induzimento ao preconceito, discriminação de raça, cor ou etnia com pena de prisão de 1 a 3 anos.
Veja nota do Ifood na íntegra
"O iFood lamenta o caso e reforça que repudia qualquer ato de discriminação. A empresa preza por relações e ambientes seguros e livres de assédios, preconceitos e intimidação em todas ações que realiza, sempre baseado em respeito, conforme os valores presentes em seu Código de Ética e Conduta.
Por conta desse episódio, vamos iniciar um processo de investigação interno para que as devidas providências sejam tomadas, incluindo o descadastramento do cliente.
O iFood ressalta a importância de que sejam registrados em Boletins de Ocorrência junto às autoridades de segurança pública e segue à disposição para colaborar com as investigações, caso seja solicitada".

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