Cinco são presos por clonar sites de pousadas e lavar dinheiro do PCC em Pirenópolis
Em março de 2025, na segunda fase, outras oito pessoas envolvidas na criação das páginas falsas foram detidas

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), na manhã desta segunda-feira (16), prendeu mais cinco integrantes de uma organização criminosa responsável por golpes virtuais e pela lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). O grupo atuava principalmente na clonagem de sites e perfis de redes sociais de pousadas de Pirenópolis (GO), causando prejuízos milionários em todo o país.
As prisões ocorreram em Goiânia (GO), Belém (PA) e Taboão da Serra (SP), com o cumprimento de mandados de prisão temporária e de busca domiciliar, com apoio das polícias civis locais. Segundo a investigação conduzida pela 18ª Delegacia de Polícia de Brazlândia, a quadrilha possuía uma estrutura organizada, com divisão clara de tarefas para aplicar estelionatos e ocultar os valores obtidos ilegalmente.
De acordo com a PCDF, o esquema consistia na clonagem de páginas legítimas de pousadas e de anúncios na internet, induzindo as vítimas a realizarem pagamentos por reservas inexistentes. O dinheiro arrecadado era transferido para contas de terceiros e, posteriormente, submetido a um sofisticado processo de lavagem de capitais, principalmente por meio da conversão e movimentação em criptoativos.
Nesta fase, a polícia prendeu os chamados “tripeiros”, integrantes do PCC responsáveis por alugar contas bancárias de terceiros e realizar a lavagem do dinheiro em casas de câmbio no Paraguai. As investigações apontam que o grupo lavou cerca de R$ 13 milhões nos últimos dois anos, com um faturamento diário estimado em R$ 20 mil.
Ainda segundo a apuração, os valores eram divididos da seguinte forma: 50% ficavam com os golpistas que administravam os sites e perfis clonados, 30% com os “tripeiros” e 20% com os chamados “laranjas”, que cediam suas contas para movimentação financeira.
Além das prisões, o Juízo de Garantias do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) determinou o bloqueio e a liquidação de criptoativos vinculados aos investigados.
A Operação Sem Reservas teve início em novembro de 2024, quando três pessoas responsáveis pela administração dos sites clonados foram presas. Em março de 2025, na segunda fase, outras oito pessoas envolvidas na criação das páginas falsas foram detidas. Com as prisões desta segunda-feira, já são 16 investigados presos por envolvimento nos golpes das falsas pousadas.
Durante as investigações, a polícia identificou ao menos 83 vítimas apenas no Distrito Federal.
“Os golpes migraram para o ambiente virtual e, nesse contexto, a lavagem de dinheiro com criptomoedas já é uma realidade, pela facilidade de envio para qualquer lugar do mundo em poucos segundos”, afirmou o delegado-chefe da 18ª DP, Fernando Cocito.

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