Câmeras mostram momento em que PMs monitoram e fuzilam empresário; assista
O crime aconteceu na madrugada do dia 22, na Pavuna, Zona Norte do Rio, e mostra os agentes aguardando a vítima como se fossem olheiros do crime.

Imagens das próprias câmeras corporais dos policiais militares, obtidas pelo Fantástico, da TV Globo, revelaram que a morte do empresário Daniel Patrício Santos Oliveira, de 29 anos, não foi um acidente ou uma troca de tiros, mas uma emboscada planejada. O crime aconteceu na madrugada do dia 22, na Pavuna, Zona Norte do Rio, e mostra os agentes aguardando a vítima como se fossem "olheiros" do crime. Vídeo no final do texto
Nas gravações, os policiais demonstram impaciência enquanto esperam o carro de Daniel. "Se tivesse um dronezinho era melhor ainda", comentou um dos PMs. Às 3h06, um dos agentes avisa: "Tá descendo o Russo agora!". Assim que a caminhonete de Daniel aponta na rua, o policial avança a pé e descarrega o fuzil contra o veículo. Não houve ordem de parada, blitz ou qualquer sinalização.
Mentiras gravadas e tentativa de "melar" a investigação
Após os disparos que mataram Daniel com um tiro na cabeça, as câmeras registraram o desespero dos sobreviventes que estavam no carro. "O que que a gente fez, meu chefe?", gritava um dos acompanhantes. Para tentar encobrir o crime, o policial que atirou começou a montar uma farsa ali mesmo, na frente dos corpos e dos moradores.
As câmeras gravaram o momento em que o agente orienta o colega a registrar o caso como "legítima defesa" e "troca de tiros", alegando que o carro teria avançado contra a guarnição. Ele repetiu a mentira por telefone e até na delegacia, mas não contava que o monitoramento feito pelas câmeras de sua própria farda provaria que eles seguiram os passos de Daniel por mais de uma hora antes de matá-lo.
Família destruída
Daniel era empresário do ramo de eletrônicos, casado e pai de uma menina pequena. A família já estava com as malas prontas para se mudar para Foz do Iguaçu (PR) em busca de uma vida mais tranquila.
"Espero que a justiça seja feita e não escondam a verdade", desabafou a viúva. Os dois policiais envolvidos foram presos em flagrante por homicídio doloso. O Governo do Rio informou que pagará indenização à família, enquanto o Ministério Público investiga o que motivou os PMs a montarem a tocaia.














