"Barão" do ouro é preso em condomínio onde moram estrelas do sertanejo e usava identidade falsa
Márcio Medeiros é acusado de participar de uma organização criminosa de extração de ouro ilegal, que teria movimentado às margens da lei R$ 16 bilhões em dois anos. Ele também já teria se envolvido com o tráfico de drogas.

A Polícia Federal deu detalhes sobre a prisão de Márcio Medeiros, realizada em um condomínio de Goiânia, conhecido por morar estrelas da música sertaneja. A detenção aconteceu durante uma megaoperação, na semana passada, contra a extração e o comércio ilegais de ouro no Brasil.
Medeiros é acusado de ser um dos cinco chefões da organização criminosa, que teria movimentado às margens da lei R$ 16 bilhões em dois anos. O assunto foi tema de uma reportagem especial do Fantástico, da TV Globo, na noite de domingo (10).
De acordo com a reportagem, Márcio Medeiros usava identidade falsa para esconder um passado de crimes ligados ao tráfico de drogas.
Em uma gravação, Medeiros aparece dando orientações, por telefone, a uma arquiteta para construção de uma casa.
“Uma mansão boa mesmo, entendeu? Com seis, sete suítes, quatro master, entendeu? Que é para nós chegar [sic] e ter referência: A casa do fulano é a melhor de lá. Não importa se vou gastar R$ 10 milhões, 12, 8 ou sete milhões, que seja”, explica.
Em seguida, ele afirma que a casa precisa ter garagem para seis ou sete carros bons.
“Usando madeira, que gosto de trem um pouquinho rústico, entendeu”.
Heliponto não podia faltar.
“Estou acostumado com helicóptero. Tenho dois helicópteros”, afirma.
Márcio Medeiros também possui outra mansão, que está no Pará, onde se casou em uma festa de arromba em 2020. O evento teve direito a shows de cantores sertanejos, como Bruno e Marrone.
Porém, a reportagem declara que a fonte de todo esse dinheiro vinha do ouro ilegal.
A polícia chegou até Medeiros e sua turma em investigações paralelas, que pareciam não ter conexão. Um braço é da PF em São Paulo, que investigava, em Jundiaí, a 55 quilômetros da capital, uma pista de pouso que servia ao tráfico de drogas. No aeroporto, a polícia descobriu que, além das drogas, os aviões também traziam ouro. Muito ouro.
“Ficou claro que há essa relação clara. Às vezes, o avião que transporta droga transporta ouro de volta”, afirma o delegado da PF, Nilson.
A quadrilha usava a mineração industrial, equipamentos de mineração industrial, até propaganda de negócio lícito, para demonstrar a legalidade do negócio. Porém, operação de busca e apreensão da Polícia Federal comprovou ser um garimpo ilegal, fincado no meio de uma unidade de conservação em Itaituba, no Pará, e tocado por uma organização criminosa.

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