Bandidos usam "falsas viaturas da PF" para invadir fazenda de deputado em Goiás
Crime foi registrado na Fazenda Santa Mônica, localizada na divisa entre Corumbá de Goiás e Alexânia. Deputado federal Eunício Oliveira declarou receio de voltar à propriedade

Três veículos blindados, com caracterização oficial de viaturas da Polícia Federal (PF), foram utilizados por um grupo criminoso para invadir a Fazenda Santa Mônica, de propriedade do deputado federal Eunício Oliveira (MDB-CE), localizada na divisa entre Corumbá de Goiás (GO) e Alexânia (GO). A propriedade foi palco de uma ação audaciosa cujo principal mistério reside na aparente ausência de interesse dos invasores em roubar bens de valor.
As investigações da Polícia Civil do Estado de Goiás (PCGO) revelaram um detalhe crucial: os carros falsos da PF, encontrados abandonados nas proximidades da fazenda após a ação, foram alugados na capital cearense, Fortaleza. Essa informação adiciona uma complexidade regional ao caso e levanta a hipótese de envolvimento de uma organização criminosa com base no Ceará, possibilidade que não é descartada pelas autoridades.
O inquérito em andamento já mapeia a participação efetiva de pelo menos 10 pessoas na invasão. No entanto, as investigações apontam para a existência de um possível "núcleo" ou mandante por trás do grupo que executou a ação.
Fontes próximas à investigação consideram o modus operandi dos criminosos como incomum e motivo de cautela. Diferentemente de assaltos convencionais a propriedades rurais, o grupo não demonstrou intenção de furtar bens da fazenda. Um dos fatos que mais intriga a polícia é que os invasores chegaram a acessar o cofre pessoal do deputado Eunício Oliveira, mas, surpreendentemente, não levaram nada que estava guardado ali.
Os criminosos reviraram alguns cômodos da casa principal da fazenda, local onde o deputado costuma se hospedar durante suas visitas. Contudo, a ação de busca não deixou claro o que ou quem eles estavam procurando, aumentando o enigma sobre a verdadeira motivação por trás da invasão.
No momento da ocorrência, o deputado Eunício Oliveira não estava na fazenda, encontrando-se em Brasília. Ele foi alertado sobre a invasão ao ser avisado para verificar as imagens das câmeras de segurança da propriedade. O susto e a gravidade da situação levaram o parlamentar a externar seu receio em retornar ao local após o ocorrido.
Para ter acesso à fazenda, os invasores renderam os seguranças responsáveis pela vigilância do local, além de um funcionário que atua como caseiro. A ação foi planejada para neutralizar qualquer resistência e garantir a entrada no perímetro da propriedade.
A condução das investigações está a cargo da PCGO. A seriedade do caso e a repercussão gerada levaram o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), a cobrar agilidade na apuração dos fatos e na identificação dos responsáveis.
A polícia possui em mãos as imagens captadas pelo circuito de segurança da fazenda, um elemento crucial para a investigação. No entanto, a identificação dos suspeitos é dificultada pelo fato de todos estarem encapuzados, armados e utilizando coletes e distintivos falsos da Polícia Federal, disfarces que visavam simular uma operação policial legítima e dificultar o reconhecimento.
A conexão dos veículos com Fortaleza e a natureza atípica da invasão mantêm em aberto a linha de investigação que aponta para a possível participação de uma organização criminosa oriunda do Ceará, buscando desvendar qual seria o real objetivo por trás de uma ação tão planejada e, ao mesmo tempo, desprovida do interesse financeiro usualmente associado a crimes contra o patrimônio. O mistério persiste enquanto a PCGO trabalha para identificar os 10 envolvidos e o possível mandante por trás do ataque à fazenda do deputado federal.

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