Assassinos que executaram família inteira de empresária entregam "mandantes" à polícia
Um dos bandidos contou à polícia que Thiago Gabriel, marido de Elizamar, e o pai dele, sogro da vítima, Marcos Lopes encomendaram as mortes com o objetivo de pôr as mãos em R$ 500 mil

Os criminosos Horácio Carlos Ferreira Barbosa, 49, que teve como comparsas Gideon Batista de Menezes, 55, e Fabrício Silva Canhedo, 34, presos sob acusação de matar toda família de Elizamar da Silva, 39 anos, cabeleireira encontrada queimada junto dos três filhos dentro do próprio carro, em Cristalina, no entorno do Distrito Federal, prestou depoimento e apontou que o marido e sogro da vítima, Thiago Gabriel Belchior de Oliveira e Marcos Antônio Lopes de Oliveira, respectivamente, seriam os mandantes do crime.
Após o encontro dos corpos da mãe e filhos, outro carro, que pertencia a Marcos, foi encontrado com mais dois corpos carbonizados, supostamente da esposa, Renata Juliene Belchior, 52, e da filha, Gabriela Oliveira, 25, que também teriam sido executadas pelos mesmos criminosos.
De acordo com as investigações, Horácio decidiu colaborar com a polícia e contou que ele e Gideon foram contratados por Thiago Gabriel Belchior de Oliveira, marido de Elizamar, e Marcos Lopes, sogro, para matar as esposas de Thiago e a de Marcos. Os assassinatos teriam sido encomendados para que o grupo criminoso conseguisse pôr às mãos em cerca de R$ 500 mil, sendo R$ 100 mil que a cabeleireira tinha emprestado para investir no salão e em R$ 400 mil que Renata recebeu após vender uma casa.
O bandido relatou que o objetivo inicial era atrair Elizamar, pegar o dinheiro da conta bancária e depois matá-la. Mas, o plano começou a dar errado quando a cabeleireira foi buscar o marido acompanhada dos três filhos do casal. Segundo Horácio, Thiago, pai das crianças, ficou incomodado com o fato delas estarem agitadas e matou um dos garotos asfixiado antes dos corpos serem carbonizados. Assim que chegaram, que pararam o veículo, Horácio desceu junto de Thiago e ateou fogo no carro com Elizamar e as crianças dentro.
O assassino contou aos policiais que outra mulher, Cláudia Regina Marques, amante e ex-mulher de Marcos, junto da filha, Ana Beatriz Marques, foram ao local do cativeiro onde estavam mantidas as outras duas vítimas, Renata e Gabriela.
Marcos, Thiago, Cláudia e Ana Beatriz, continuam desaparecidos.
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A Polícia Civil de Goiás forneceu um esquema para facilitar o entendimento do caso:
Reprodução/ Polícia Civil
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Cativeiro de Renata Belchior e Gabriela Belchior
Renata Belchior, mãe de Thiago Gabriel e esposa de Marcos Lopes, e Gabriela Belchior, irmã de Thiago e filha de Marcos, também foram vítimas da ambição dos familiares. Os corpos das duas mulheres foram encontrados carbonizados, em uma cidade de Minas Gerais.
Durante o depoimento de Fabrício, um dos presos acusado de participação nas mortes, mãe e filha foram mantidas em cativeiro durante duas semanas e ele era responsável por cozinhar, cuidar e levar as duas ao banheiro. Mas que durante a noite, ele voltava para dormir em casa. Já os outros dois bandidos dormiam no cativeiro.
Segundo ele, as duas ficaram o tempo todo amarradas e vendadas. Acrescentaram que usavam o celular delas, principalmente para responder mensagens, para não levantar suspeitas.
O encarceramento chegou ao fim durante a madrugada de sábado (14) ou de domingo (15), o criminoso não soube dar a data de forma precisa, mas afirmou que Horácio e Gideon pegaram Renata e Gabriela e as levaram embora. Gideon teria saído em um Renault Scenic prata dirigindo e Horácio em um Fiat Siena branco, com as mulheres no banco de trás, amarradas e vendadas.
Fabrício achou que eles as soltariam e que elas ficariam felizes com a liberdade. Ele só soube da morte de ambas quando foi noticiado em vários jornais que o veículo dirigido por Gideon foi encontrado com dois corpos carbonizados.
Entenda o caso
Um Renault Clio de propriedade da empresária e cabeleireira Elizamar da Silva, 39 anos, dada como desaparecida desde à noite de quinta-feira (12) junto dos três filhos, sendo um casal de gêmeos, 6 anos, e um menino, 7, foi encontrado completamente queimado com quatro corpos carbonizados na sexta-feira (13), no km 69 da GO-436, entre Luziânia e Cristalina, Entorno do Distrito Federal.
O local foi isolado e os corpos encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML), onde passaram por exame de necropsia e testes de DNA para confirmação da identidade das vítimas, provavelmente mãe e filhos desaparecidos. De acordo com a ocorrência, Elizamar deixou o salão na noite de quinta-feira (12) com os três filhos e uma funcionária, que ganhou carona até o ponto de ônibus. Por volta das 22h, essa funcionária mandou mensagem avisando que estava desembarcando e chegando em casa.
A empresária respondeu que estava próximo à casa da sogra, no Condomínio Residencial Novo Horizonte, no Itapoã, no DF, onde buscaria o marido.
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Segundo o marido, no dia seguinte em conversa com o filho mais velho de Elizamar, eles tiveram um desentendimento e a vítima deixou o local com os filhos e ele ficou na casa da mãe. O rapaz não conseguiu contato no dia seguinte e sem notícias da mãe e dos irmãos registrou boletim de ocorrência e informou o desaparecimento.
As primeiras informações da polícia dão conta de que o carro da empresária entrou no condomínio por volta das 22h e saiu na manhã do dia seguinte.
Feito o rastreio do celular da vítima, foi possível verificar que a última localização foi na BR-260, na altura do Paranoá, outra Região Administrativa do DF.
Caso segue em investigação e o delegado responsável, Cassius Zamó, que as linhas de apuração estão em sigilo para não interferir no trabalho da polícia e que ainda não há suspeitos de quem possa ter cometido o crime.
"Por uma questão numérica, a gente suspeita que essas quatro pessoas que estavam dentro do carro seriam as que sumiram no DF, aquela mulher e três crianças", revelou o delegado.
No entanto, ele complementou que não há como confirmar até que sejam emitidos os resultados dos laudos da perícia.













