Alvos da polícia: Bandidos "roubam" carros de luxo de R$ 250 mil e vendem em Goiás por R$ 15 mil
A Polícia Civil de Goiás, por meio da DERFRVA, deflagrou na manhã desta quinta-feira (5) a Operação Comander para cumprir 14 mandados de prisão temporária e 58 de busca

A Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores (DERFRVA), deflagrou na manhã desta quinta-feira (5) a Operação Comander, com o objetivo de desmantelar um esquema interestadual de venda de veículos de luxo roubados, envolvendo comerciantes e receptadores de Goiás, São Paulo e Rio de Janeiro.
Durante a ação, iniciada simultaneamente em Goiânia, Trindade, São Paulo, Sorocaba, São José dos Campos e no Rio de Janeiro, foram expedidos 68 mandados judiciais, sendo 14 de prisão temporária e 58 de busca e apreensão.
O nome da operação faz referência ao modelo de um dos veículos de luxo roubados, um Jeep Commander, oferecido aos criminosos e comerciantes goianos por apenas R$ 15 mil, enquanto seu valor de mercado é estimado em R$ 250 mil. A discrepância chamou a atenção dos agentes, evidenciando a dimensão de um esquema criminoso voltado para o roubo, desmontagem, adulteração e revenda de veículos de alto valor.
A operação contou com suporte das Polícias Civis de São Paulo e do Rio de Janeiro, além do Laboratório de Identificação Veicular da Superintendência de Polícia Técnico-Científica de Goiás, que desempenhou um papel fundamental na análise detalhada de veículos e peças apreendidas.
Segundo as investigações da Polícia Civil, o grupo criminoso atuava em várias frentes dentro da cadeia de roubo e revenda de veículos de luxo. Os carros, especialmente de modelos caros e desejados, eram primeiramente roubados em estados como São Paulo e Rio de Janeiro, para então serem transportados para Goiás, onde passavam por adulterações de chassi, documentos falsificados e, em alguns casos, desmonte para a venda de peças.
De acordo com as apurações, os veículos roubados eram oferecidos a receptadores goianos por valores muito abaixo do mercado, evidenciando a prática criminosa.
"Um veículo com valor venal de R$ 250 mil vendido por R$ 15 mil levanta suspeitas imediatas. Essa diferença gritante mostra que havia uma rede organizada que explorava especialmente a fragilidade de sistemas de revenda e desmanche", explicou um investigador.
Além disso, algumas peças oriundas desses carros já tinham sido identificadas em oficinas, ferros-velhos e comércios automotivos de Goiânia e Trindade, destacando a extensão do esquema e a dificuldade enfrentada pelas autoridades para rastrear os produtos ilícitos.
Com a deflagração da Operação Comander, os 14 mandados de prisão temporária e 58 mandados de busca e apreensão se concentraram em encontrar documentos, ferramentas de adulteração, peças, veículos e quaisquer registros que possam comprovar a atuação do grupo. As buscas abrangeram imóveis residenciais e comerciais, desde as oficinas investigadas até residências de suspeitos vinculados ao esquema, passando também por estabelecimentos comerciais em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Com o apoio do Laboratório de Identificação Veicular, a Polícia Técnico-Científica analisará os bens apreendidos para determinar a origem dos veículos adulterados ou desmontados. Essa avaliação é crucial para garantir o retorno dos bens aos donos originais e para traçar a rota completa do que os investigadores chamam de "rede de luxo do crime automotivo".
Dada a complexidade da organização criminosa, a Polícia Civil de Goiás articulou uma operação conjunta com forças policiais de São Paulo e do Rio de Janeiro. A coordenação interestadual foi essencial para garantir eficiência no cumprimento simultâneo dos mandados e na coleta de provas distribuídas em diversas regiões do Brasil.

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