Advogado é acusado de enganar clientes e causar prejuízo de até R$ 700 mil em Goiás
Investigação aponta que advogado orientava clientes a parar de pagar financiamentos, recebia transferências via Pix e ficava com o dinheiro. Polícia acredita que cerca de 40 pessoas tenham sido vítimas

Michel de Lacerda Bento é investigado pelos crimes de estelionato e apropriação indébita.
Um advogado suspeito de aplicar golpes nos próprios clientes foi preso em Catalão, no sudeste de Goiás. Michel de Lacerda Bento é investigado pelos crimes de estelionato e apropriação indébita após, segundo a Polícia Civil, convencer pessoas de que conseguiria reduzir parcelas de financiamentos imobiliários, mas ficar com os valores recebidos. A investigação aponta cerca de 40 vítimas e um prejuízo que pode chegar a R$ 700 mil.
De acordo com a apuração, Michel oferecia serviços jurídicos prometendo negociar a redução das parcelas de loteamentos e até obter indenizações para os clientes. Como parte da estratégia, orientava as vítimas a interromper o pagamento das prestações para pressionar as empresas a negociar. Paralelamente, solicitava transferências via Pix sob a justificativa de quitar parcelas em atraso, mas os pagamentos não eram repassados.
Uma das vítimas, Adeildo Leite de Araújo, contou à TV Anhanguera que seguiu as orientações do advogado e acabou acumulando prejuízos. "Ele ligava fora do horário, pedindo Pix para pagar duas, três prestações que estavam mais atrasadas. A gente enviava o Pix para ele. E nada foi pago", relatou.
Segundo a Polícia Civil, o esquema pode ter atingido aproximadamente 40 clientes. As perdas financeiras somadas são estimadas em até R$ 700 mil.
As suspeitas já eram alvo de investigação desde o início do ano. Em decisão proferida em março, durante a análise de um pedido de habeas corpus preventivo, a juíza Priscila Lopes da Silveira, da Comarca de Anápolis, informou que a 4ª Promotoria de Justiça de Catalão instaurou investigação criminal para apurar a suposta prática dos crimes de estelionato e apropriação indébita.
Na decisão, a magistrada afirmou que o investigado, aproveitando-se da atuação como advogado, "teria induzido múltiplas vítimas a erro mediante promessa de redução de parcelas de loteamentos e obtenção de indenizações".
Ainda conforme a juíza, existem indícios de que Michel orientava os clientes a deixarem de pagar as parcelas dos imóveis, o que teria agravado as dívidas e aumentado o risco de perda dos bens. A investigação também aponta que ele cobrava valores iniciais entre R$ 2.050 e R$ 3.500 para ingressar com ações judiciais, além de exigir quantias extras para supostas custas processuais e atos judiciais, sem prestar contas ou acompanhar adequadamente os processos.
Antes mesmo da prisão, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) já havia suspendido preventivamente o registro profissional de Michel de Lacerda Bento. Em nota divulgada em 12 de maio, a entidade informou que a medida foi adotada "diante da gravidade dos fatos apurados em procedimentos ético-disciplinares e da ampla repercussão social".
A OAB-GO afirmou ainda que recebeu, nos últimos anos, dezenas de reclamações contra o advogado. Entre os relatos apresentados à entidade estão, em tese, ausência de prestação de contas, retenção de valores, abandono de processos e ajuizamento de ações sem o devido acompanhamento.
A Ordem ressaltou que a suspensão cautelar não representa uma condenação definitiva, mas uma medida excepcional destinada a preservar a dignidade da advocacia e a confiança da sociedade na atuação dos profissionais.
A defesa de Michel de Lacerda Bento não foi localizada até a última atualização das informações.
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