Advogado é acusado de dirigir bêbado, atropelar e matar motociclista; veja vídeo
Sérgio Fernandes de Moraes atropelou Wilkinson Leles de Nascimento em um cruzamento do Setor Vila São João, em Anápolis, quando se desfez de uma garrafa de vinho e fugiu a pé.

O advogado Sérgio Fernandes de Moraes, 56 anos, é acusado de dirigir bêbado um ford Ka, atropelar e matar o entregador de aplicativo Wilkinson Leles de Nascimento, 38 anos, durante acidente de trânsito na noite de domingo (09) em um cruzamento do Setor Vila São João, em Anápolis (55 km da Capital).
O acusado, que é representado pelo ex-senador Demóstenes Torres, se apresentou na Central de Flagrantes quatro dias após o acidente, mas o mandado de prisão estava em sigilo e ele foi liberado. Buscas foram feitas no endereço dele, mas Sérgio não foi encontrado.
Wilkinson Leles foi socorrido e encaminhado ao Hospital Estadual de Anápolis Dr. Henrique Santillo (Heana), onde deu entrada com traumatismo craniano e diversas outras fraturas, mas não resistiu e teve a morte constatada pouco depois de dar entrada na unidade de saúde.
De acordo com a ocorrência, o Ka e a moto da vítima trafegavam na mesma via, porém, em sentidos opostos. Na altura do cruzamento, o carro fez uma conversão à direita, supostamente, sem sinalizar, quando atropelou o motociclista.
Imagens das câmeras de segurança da região mostram que ao perceber que o carro estava “virando”, Wilkinson tentou frear e desviar do Ka, mas caiu na pista e foi atropelado.
Logo após o acidente, populares se aproximaram para tentar ajudar o motociclista, momento em que o advogado teria pego uma garrafa de vinho e jogado em um matagal às margens da via. O objeto foi encontrado pela Polícia Civil e encaminhado para perícia.
Com a aglomeração que se formou no local, Sérgio teria aproveitado para fugir a pé do local.
Os advogados do “foragido” entraram em contato com polícia na segunda (10) e terça (11), afirmando que o cliente se apresentaria espontaneamente, mas o acusado, junto de seu advogado, o ex-senador Demóstenes Torres, se apresentou na Central de Flagrantes apenas na madrugada dessa quarta-feira (12).
No dia que se apresentou na unidade policial, quatro dias após o acidente, existia um mandado de prisão em aberto em desfavor do advogado, porém, a ordem judicial estava em sigilo, não foi encontrado durante os procedimentos e o acusado liberado.
Segundo o delegado Manoel Vanderic, a apresentação foi uma "manobra" para o acusado, que é investigado por homicídio doloso, por dirigir bêbado e assumir o risco de matar, além de fugir do local do acidente, escapasse da prisão.
Em resposta ao delegado, durante entrevista à imprensa, Demóstenes Torres disse que o mandado estava em sigilo para "impossibilitar o trabalho dos colegas" e que o delegado queria fazer a prisão para "aparecer". O advogado afirmou ainda que o investigador estaria forçando o caso como homicídio doloso para "gerar comoção".
O delegado rebateu e informou que o caso estava em sigilo com a autorização do Poder Judiciário, medida que é um protocolo da polícia, para impedir que o investigado, que é advogado, tenha acesso aos autos.
Além disso, o investigador alegou que Sérgio assumiu o risco de matar, por ter ingerido bebidas alcóolicas e assumido a direção do carro. Ressaltou que o acusado é reincidente no ato, já que teria sido preso por dirigir embriagado em outras duas ocasiões, 2013 e 2017.
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