Advogado afirma que dono da Choquei recebia R$ 270 mil por mês com publicidade
A defesa também rebateu a suspeita de participação na movimentação financeira bilionária investigada pela Polícia Federal.

A defesa do influenciador Rafael Sousa, criador da página Choquei, afirmou que ele não tem qualquer envolvimento com o esquema investigado pela Polícia Federal na Operação Narcofluxo, que apura lavagem de dinheiro e outras atividades ilícitas envolvendo artistas e influenciadores digitais. A declaração foi feita após audiência de custódia realizada na manhã desta quinta-feira (16).
Segundo o advogado Pedro Paulo de Medeiros, o juiz responsável pelo caso decidiu ouvir o delegado que solicitou a condução de Rafael antes de definir pela manutenção ou não da prisão. A expectativa da defesa é de que o influenciador seja liberado ainda hoje.
“O delegado, certamente, vai dizer que não há necessidade de manter o Rafael custodiado, até porque ele já explicou que não tem qualquer relação com o MC Ryan, salvo o fato de fazer publicidade para ele no perfil Choquei”, afirmou.
De acordo com a defesa, a atuação de Rafael se restringia à prestação de serviços publicitários. O advogado destacou que o influenciador recebia pelos conteúdos divulgados e emitia nota fiscal pelas campanhas. “Ele simplesmente faz a publicidade do Ryan. É uma atividade empresarial”, disse.
Ainda segundo o defensor, o influenciador declarou renda média mensal de cerca de R$ 270 mil com a página, considerada uma das maiores do segmento nas redes sociais. O dinheiro, segundo ele, é proveniente de contratos com diversos artistas e marcas. “Ele recebe, de fato, muito dinheiro. Não ele, a empresa dele. E é com esse dinheiro que ele sobrevive”, explicou.
Relação com os influencers
A defesa também rebateu a suspeita de participação na movimentação financeira bilionária investigada pela Polícia Federal, que aponta cerca de R$ 1,6 bilhão movimentados em menos de dois anos. “Essa movimentação não é do Rafael. É dos cantores. Ele não tem participação nisso”, afirmou.
Sobre a relação com MC Ryan, o advogado disse que não havia contato direto frequente, já que as negociações eram intermediadas por equipes de marketing. “Havia um empresário que intermediava. Ele apenas veiculava o material que recebia. Não era ele quem criava o conteúdo”, pontuou.
O defensor também destacou que Rafael não tinha conhecimento sobre eventuais outras atividades do artista além da carreira musical. Enquanto a investigação segue, os aparelhos eletrônicos apreendidos com o influenciador ainda passarão por perícia. A defesa acredita que o resultado deve reforçar a versão apresentada.
Contexto
Rafael Sousa foi preso no âmbito da Operação Narcofluxo, que também teve como alvos os funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo. A ação investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, associação criminosa e uso do setor de entretenimento e redes sociais para ocultação de recursos de origem ilícita.
A operação cumpriu dezenas de mandados em vários estados e provocou grande repercussão nacional, principalmente pelo envolvimento de nomes populares da internet e do funk.
As defesas dos investigados negam irregularidades e afirmam que as atividades exercidas são legais. O caso segue sob investigação da Polícia Federal.

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