Advogada goiana desiste de medida protetiva após 50 alertas ignorados: "pode me matar"
Carolina Câmara relata três anos de agressões, descumprimentos de tornozeleira e desdém de autoridades

A advogada Carolina Câmara expôs as entranhas da ineficiência do sistema de proteção à mulher em Goiás. Após quase três anos de um relacionamento marcado por escalada de violência — de beliscões a lesões graves na cabeça e tórax —, ela decidiu desistir da ação judicial. O motivo não é o perdão, mas a descrença total nas medidas protetivas que deveriam garantir a vida.
Mesmo com o agressor monitorado por tornozeleira eletrônica, Carolina vive um pesadelo. Ela relatou que, desde novembro, o botão de pânico acionou mais de 50 vezes devido à proximidade do ex-parceiro. Em apenas uma dessas ocasiões a polícia compareceu. Em outras, ouviu de agentes que "não podiam fazer nada" e chegaram a pedir que ela desligasse o aparelho porque o barulho "causava transtorno".
Vítima de um ciclo que começou com ofensas e evoluiu para agressões físicas severas, Carolina entendeu que o caminho judicial seria longo e doloroso, resultando em punições brandas, como cestas básicas. "Hoje eu entendo por que tanta mulher desiste", afirmou a advogada, destacando que a impunidade funciona como um "degrau" que encoraja o agressor a chegar ao feminicídio.
Carolina revelou que o agressor já possuía histórico de violência, inclusive contra a própria mãe. Mesmo com 12 denúncias realizadas por ela, o homem continua circulando livremente perto de sua casa e trabalho, provocando pânico em seus familiares, incluindo seus avós de 82 anos.

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