Presidente do STF quer punição severa para incendiadores
Durante seu discurso, Barroso também lembrou as medidas tomadas pelo STF para garantir ações emergenciais de combate às queimadas

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, destacou a gravidade das queimadas que assolam o Brasil. Segundo Barroso, no Cerrado, queimadas espontâneas podem ocorrer excepcionalmente, mas no Pantanal e na Amazônia, todas são provocadas pela ação humana.
Barroso revelou que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, expressou preocupação com a impunidade em relação às queimadas dolosas.
“O próprio presidente da República me telefonou, preocupado com a circunstância de impunidade em relação a essas queimadas dolosas, de modo que daqui faço já um apelo ao Poder Judiciário, aos juízes, que tratem esse crime com a seriedade que ele merece ser tratado”, afirmou.
Nesta segunda-feira, o chefe do Executivo federal se reuniu com ministros da área ambiental e do núcleo político para discutir novas ações contra os incêndios que devastam o país. Durante seu discurso, Barroso também lembrou as medidas tomadas pelo STF para garantir ações emergenciais de combate às queimadas.
“O Brasil enfrenta um dos maiores períodos de seca e queimadas da sua história. Até agosto, registramos mais de 200 mil focos de incêndio, que devastaram uma área superior a 224 mil km² – quase equivalente ao estado de São Paulo”, declarou o ministro.
Barroso destacou que, em agosto, mais de 55 mil km² de vegetação foram destruídos. Em setembro, a situação permanece crítica, com cerca de 5 mil novos focos de queimadas registrados em apenas um dia. “E aqui amanhecemos com a notícia triste, está pegando fogo o Parque Nacional de Brasília”, prosseguiu.
Esses incêndios têm causado sérios danos aos biomas e à saúde dos brasileiros, propagando uma densa fumaça que cobriu cerca de 60% do território nacional e começa a afetar países vizinhos. A combinação de práticas ilegais de queimadas e a seca recorde no Norte e Centro-Oeste tem agravado a situação, elevando os níveis de poluição em cidades como São Paulo, que recentemente enfrentou o recorde indesejado de pior qualidade do ar do mundo.
As queimadas recordes na Amazônia resultaram em 31 milhões de toneladas de gás carbônico (CO2) emitidos na atmosfera, segundo dados inéditos obtidos pelo Jornal Hoje junto com o Observatório do Clima (OC), rede de entidades ambientalistas da sociedade civil brasileira.










