Deputado pastor leva “ex-trans” à Câmara para repudiar ONG de crianças trans
O parlamentar afirmou ainda que Helder estava ali “provando que essa história que nasceu gay e vai morrer gay” seria mentira, em uma defesa implícita da chamada “cura gay”

Em uma sessão marcada por debates acalorados, o deputado Pastor Eurico (PL-PE) trouxe um convidado inusitado para a Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Câmara dos Deputados. Vídeo no final da reportagem
Durante a reunião realizada na quarta-feira (05), o parlamentar apresentou um homem que se identifica como “ex-trans”, com o intuito de reforçar seu argumento contra a participação de crianças trans na Parada Gay de São Paulo.
A presença do homem, identificado como Helder Oliveira, foi utilizada por Eurico para embasar sua defesa de uma moção de repúdio direcionada a uma ONG que promoveu a inclusão de crianças trans no evento LGBTQIA+.
Durante seu discurso, Eurico fez referência ao processo vivido por Oliveira, mencionando as dificuldades enfrentadas por ele para remover implantes mamários e glúteos após abandonar a identidade trans e converter-se ao evangelismo. O deputado destacou a transformação de Oliveira, enfatizando sua atual identidade como homem heterossexual, casado e pai de família.
A discussão ganhou ainda mais intensidade quando Eurico abordou o tema da “cura gay”, prática proibida pelo Supremo Tribunal Federal. Ele argumentou que o caso de Oliveira seria uma prova contra a ideia de que a orientação sexual é imutável, defendendo a possibilidade de mudança.
“(Ele) está aqui provando que essa história que nasceu gay e vai morrer gay, isso é mentira do cão e ‘tratação’ do inferno. Nós defendemos que o cidadão pode ser o que quiser, mas se ele quiser voltar a sua vida natural com ele nasceu, que ele volte. E vamos defender, porque isso é possível. Portanto, presidente, essa nota de repúdio, não existe criança trans. Existe um monte de marmanjo frustrado que quer fabricar crianças trans. Menino nasce menino, menina nasce menina, homem nasce homem, mulher nasce mulher”, afirmou.
Apesar das declarações polêmicas e do apoio simbólico à moção de repúdio, houve resistência por parte de algumas deputadas.
Lídice da Mata (PSB-BA) e Erika Kokay (PT-DF) expressaram votos contrários, evidenciando a divisão de opiniões sobre a questão de identidade de gênero e os direitos da comunidade trans.











