Servidora de Goiás é a primeira “pessoa trans” a receber título de mestre em saúde coletiva da UFG
Bianca Lopes, que está responsável técnica da área de Atenção à Saúde da População LGBT em Goiás, se tornou mestre nesta quinta-feira (23).

Servidora de carreira da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás, Bianca Lopes é a primeira “pessoa trans”, em 13 anos de existência da Pós-Graduação Nível Mestrado Profissional em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Goiás (UFG), a conquistar título de "mestre" no estado.
Bianca, que está responsável técnica da área de Atenção à Saúde da População LGBT em Goiás, recebeu o título de “mestre” pela UFG, nesta quinta-feira (23), quando quebrou mais um paradigma e se tornou, mais uma vez, referência na luta pela igualdade e respeito à população “trans”, provando que a Educação é uma arma para conquistar objetivos pessoais e coletivos.
Segundo a “mestre”, a etapa do processo para a conclusão do curso foi extremamente fortalecedora e a fez enxergar as necessidades de tornar o Sistema Único de Saúde (SUS) como um sistema de garantias de direitos e de cidadania, fazendo com que o objetivo seja ampliar as condições de acesso à saúde, sem nenhum tipo de discriminação, mas sim acessível e equânime considerando todas as pessoas e seus determinantes sociais de saúde.
“Me sinto muito feliz por conseguir romper um ciclo de não acesso de pessoas trans a esse este Programa. Enquanto primeira pessoa trans a receber esse título, eu espero que possa ser a primeira de outras centenas de pessoas, e que elas encontrem ambiente favorável não só para o acesso, como também para sua permanência dentro da academia [...]. Que essas pessoas acessem esses programas não só como população pesquisada, mas também como pesquisadores potenciais que somos”, ressaltou.
Bianca, que já passou por todo desafio de transição social e redesignação sexual, descobriu desde cedo que a educação seria sua arma transformadora para enfrentar toda discriminação que viria sofrer para conquistar sua “posição de direito” dentro da sociedade.
Reprodução/ Arquivo Pessoal
Bianca Lopes recebeu título de mestre nessa quinta-feira (23) na UFG
Ela estudou, se formou, correu atrás de qualificação, especializações e, hoje, se tornou servidora do Estado de Goiás, onde desempenha a função de subcoordenadora de Atenção à Saúde da População LGBT em Goiás e tem a possibilidade de ajudar e acompanhar outras pessoas desse grupo, seja gay, lésbica, bissexual, transexual, e outras classificações, a receberem a devida atenção para os cuidados específicos em saúde que demandam essa população.
Também é casada e formou a própria família, junto ao marido Caleb, um homem trans, parceiro e que está junto compartilhando conquistas como esta, mas também atravessando adversidades e superando os desafios da rotina que todo casal tem.
Ainda vale destacar a população transexual dentro deste contexto, já que possui desafios maiores, pois, tem a primeira necessidade de ter a sua identidade de gênero reconhecida e respeitada dentro da família, a luta para o processo de afirmação de gênero, o processo de transição e o enfrentamento do preconceito de uma sociedade que, além de não conseguir entender, muitas vezes desrespeita e minimiza os direitos, inclusive e principalmente, à saúde.
Reprodução
Bianca, o marido e amigos
Se tornar Mestre Em saúde Coletiva possibilita à Bianca, além da conquista pessoal, ser referência de que a educação transforma vidas e abre caminhos, além de estar mais preparada tecnicamente para atuar dentro da estrutura da gestão pública do estado de Goiás para tornar os direitos dessa população sejam de fato acessíveis a todas essas pessoas, que na grande maioria não sabe nem onde buscar ajuda.

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