Obras que se arrastam há seis anos foram abandonadas pela empresa “responsável”
A execução do projeto começou em 2015, com a promessa de ser entregue “funcionando” à população em 2017. Agora, a nova previsão é para o fim de 2023.

As obras do BRT (Ônibus de trânsito Rápido), que começaram em 2015, com a promessa ligar Goiânia de Norte a Sul, e de acordo com o projeto inicial, seria entregue “funcionando” à população em 2017, já se arrastam há seis anos e ganhou um novo capítulo na última quarta-feira (22), quando o Consórcio das empresas GAE, Sobrado e JM responsável pelo trecho 1, ente os terminais Isidória, na Capital, e Cruzeiro, em Aparecida, abandonou o trabalho.
O BRT é o transporte com corredor exclusivo com a intenção de dar mais celeridade ao transporte coletivo, além de ligar todo o município.
Em relação ao trabalho realizado pelo consórcio, que assumiu as obras em junho de 2020, é um trecho de 1 km de pista de concreto, que começa no terminal Isidória, no Setor Pedro Ludovico, em Goiânia, até a rotatória da Quarta Radial, sentido Vila Brasília, em Aparecida.
Segundo a prefeitura da Capital, o trecho “pronto” representa 8% do que deveria ser entregue, segundo o contrato assinado no valor de R$ 67 milhões e que previa 5 km de pista, além de 5 estações de embarque/desembarque entre Isidória, na Capital, e Cruzeiro, em Aparecida.
O Executivo da Capital informou que tentou negociar com o consórcio para que as obras não parassem, mas não houve entendimento e as obras foram paradas novamente até que nova licitação seja realizada e uma outra empresa assuma a execução do projeto.
“Agora é aguardar o destrato ser feito para que, logo em seguida, possamos fazer uma nova licitação”, explicou o prefeito Rogério Cuz.
O Secretário de Infraestrutura de Goiânia, Fausto Nieri Moraes Sarmento, disse que o processo para realização da nova licitação é previsto já para janeiro.
“É uma licitação que deve demorar em torno de 4 meses, o que é normal, e acredito que as obras devem ser retomadas em junho. São cerca de 4 km que faltam terminar, mas no meio ainda tem que ser feito uma trincheira grande, um viaduto e toda retirada de pavimento da Avenida Rio Verde até atingir o terminal de Cruzeiro do Sul”, explicou o secretário.
Ainda segundo Fausto, a previsão para conclusão do trecho 1 é final de 2023.
O Consórcio que desistiu dos trabalhos do trecho 1 do BRT não se manifestou sobre o caso.
O prefeito Rogério Cruz reconheceu que as obras já se arrastam por muito tempo, especialmente o Corredor BRT Norte-Sul, devido às inevitáveis alterações nas condições do contrato, que segundo ele, agravado pela pandemia que, além do próprio ajuste de valores, acarretou na interrupção do fornecimento de insumos para a construção civil.
“Encontram-se entraves relacionados à Lei 8.666/2013, a Lei das Licitações, cujo limite de aditivo aos contratos é de 25%. Fato que nem sempre corresponde ao valor real da obra, o que se torna um desafio para a gestão pública, especialmente relacionada a grandes obras, como o BRT Norte-Sul. Afinal, cada fator impeditivo é preponderante na continuidade das obras. Com a notícia de que a empresa responsável por parte da obra sairá do projeto, existem trâmites que devem ser cumpridos para garantir a lisura das ações. Agora, precisamos prosseguir com o distrato e, posteriormente, abrir nova licitação para continuidade da obra”, esclareceu o prefeito.
Trecho 2 do BRT
As obras do trecho 2 do BRT, que tem 17 km de extensão, do terminal Isidória ao Recanto do Bosque, região norte da Capital, que já está com 94% dos trabalhos concluídos, tinha previsão de entrega no dia 24 de outubro, aniversário de Goiânia, mas o deslocamento de placas do viaduto em construção comprometeu a entrega.
A Secretaria ressaltou que o avanço das obras do trecho 2 depende muito da condição climática para que os trabalhos sejam concluídos, uma vez que as chuvas tem sido frequentes na Capital e prejudica o andamento.

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