Médicos reclamam de salários defasados e ameaçam greve
A categoria cobra convocação dos médicos aprovados em concurso, bem como reajuste salarial

O Sindicato dos Médicos de Anápolis (a 59 km de Goiânia) aprovou estado de greve a partir o próximo dia 15 de outubro. A categoria afirma não ter sido atendida pelo prefeito Roberto Naves e o secretário municipal de Saúde Julio César Espindola quanto a uma série de reinvindicações.
"A última tentativa aconteceu no dia 16/09/2021, quando foi entregue em mãos um ofício com reinvindicações para o secretário além do encaminhamento ao prefeito de igual correspondência. O secretário se comprometeu a responder antes do dia 27/09/2021, porém não o fez. Já o prefeito ignorou as reivindicações", diz trecho da nota. O estado de greve foi aprovado durante assembleia realizada no último dia 28.
A categoria cobra convocação dos médicos aprovados em concurso, dando prioridade para contratação via credenciamento. O sindicato aponta que os salários dos médicos estão defasados. "O salário do médico concursado atual é praticamente a metade do valor pago para um médico credenciado", ressalta a categoria.
Além disso, o Simea questiona a retirada da gratificação concedida em 2017 para amenizar o problema do salário na época, com redução da remuneração em média de R$ 2 mil. Os médicos citam ainda "perseguição dos concursos" com regras proibindo o atendimento do profissional na unidade que trabalha, não disponibilização de plantões extras para os concursados, sendo aberto somente para os credenciados e suspensão dos deferimentos de pedidos de férias e licenças de saúde, prêmio e por interesse particular.
"Contrato de credenciamento ilegal, onde constam aberrações como aplicação de norma como diaristas, com pagamento apenas pelo dia trabalho, ou seja, durante os feriados, pontos facultativos, atestados por acidente de trabalhou ou mesmo de saúde, o profissional ficará sem receber; multa de até 10% do salário por evento, caso por exemplo o profissional reclame em grupos de chat; sem direitos trabalhistas como férias e 13º salário", aponta.
O sindicato reforça ainda que praticamente todas as unidades de saúde do município não possuem Alvará da Vigilância Sanitária, não atendem o disposto na NR 17 (ergonomia), NR 32 (Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde).
"Tem consultórios sem pia para lavar as mãos entre os procedimentos, consultório ginecológico sem banheiro (com situação constrangedora para a paciente), consultórios sem porta com a privacidade comprometida e falta de segurança, expondo o profissional a risco desnecessários, falta de aparelhos de ar-condicionado, entre outras irregularidades".
Os médicos dizem que devido aos baixos salários e "péssimas" condições de trabalho, várias escalas de plantões estão incompletas, levando a sobrecarga de serviço no local e em outros estabelecimentos de saúde entre outras queixas.
"Infelizmente, o Secretário de Saúde tem usado todas as oportunidades criadas para deturpar, distorcer e macular o movimento legítimo da categoria médica, posição contrária à abertura para negociações, necessária neste momento de conflito", completou.
O Simea contesta a pretensão do prefeito de privatização do sistema de saúde municipal, ao "privilegiar" a terceirização dos serviços via OS. "O Simea está sempre aberto às negociações, com intuito de solução dos graves problemas acima apresentados, e propósito de garantir melhor atendimento médico à população anapolina", finalizou.
Outro lado
Em nota, o secretário municipal de Saúde Júlio César Spindola apontou uma série de ações realizadas pelo Executivo para melhorar o sistema público de saúde, principalmente diante da pandemia.
"Os resultados deste projeto são evidentes, elevando Anápolis como uma referência para o país na qualidade do serviço público prestado na área da saúde. Temos muito ainda a avançar, mas cabe destacar que esta atuação foi decisiva para que Anápolis pudesse enfrentar a pandemia da Covid-19 em condições melhores do que boa parte dos municípios do país", diz trecho da nota.
"Portanto, respeitamos todas as manifestações dos médicos, mas cabe-nos destacar que uma possível greve proposta pelo Sindicato dos Médicos de Anápolis soa distante da ideia de união e bom senso tão necessários para este momento. Reconhecemos a necessidade de promover melhorias e já estamos em fase de execução de um extenso plano para atender este objetivo. Acreditamos que o diálogo irá sempre prevalecer sobre quaisquer outros interesses", finalizou.

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