Suposto superfaturamento: Thiago Moura teria pago quase R$ 60 em caixa de luvas que custa R$ 10
Os dados fazem parte da "Operação Teste Rápido", da Polícia Federal, que investiga suposta corrupção na Saúde de Canedo

Documentos obtidos com exclusividade pelo Blog do Sousa, do G5News, mostram detalhes de um possível esquema de corrupção que pode ter desviado mais de R$ 1 milhão da Saúde de Senador Canedo durante a pandemia, período em que Thiago Moura comandava a pasta, na gestão Divino Lemes.
Os dados, que resultaram na "Operação Teste Rápido" da Polícia Federal (PF) em 6 de julho passado, serão publicados em uma série de reportagens pelo G5News.
Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores está relacionado à compra de álcool etílico e luvas cirúrgicas. Segundo a denúncia, à época, o então secretário Thiago Moura teria deixado de lado um processo administrativo, em formato de pregão presencial, avaliado em R$ 15,2 milhões, para aquisição de materiais médicos e hospitalares, cuja empresa vencedora foi a Reobote Hospital.
Na ocasião, a Reobote Hospital ofereceu álcool 70% a R$ 3,04 a unidade e álcool absoluto 99,5% a R$ 4,09. No entanto, de acordo com os documentos, Thiago Moura decidiu dispensar o processo licitatório e adquirir o álcool 70 da empresa A2 Distribuidora.
Neste caso, o álcool 70 custou R$ 5,10 por unidade, ou seja, R$ 2,06 a mais. Foram adquiridos 200 frascos do produto, totalizando R$ 1.020, enquanto o valor seria de R$ 608 se tivesse sido pago o menor preço.
A Reobote também oferecia caixas de luvas contendo 100 unidades por R$ 10,16 cada, entretanto, a Secretaria de Saúde optou por pagar R$ 58 por caixa de luvas com 100 unidades fornecida pela Enaiara Maria Rodrigues Cuelho Neres. Ao todo, a Enaiara recebeu R$ 638 mil da gestão de Thiago Moura por 8 mil caixas do produto. Se as luvas tivessem sido adquiridas na Reobote, o valor total seria muito menor a R$ 81 mil.
Em outras palavras, a secretaria pagou quase sete vezes mais pelo mesmo produto com a dispensa de licitação.
Os números estão de posse da Polícia Federal e o inquérito corre em segredo de justiça.
Operação
Em 6 de julho, a PF realizou quatro mandados de busca e apreensão nas cidades de Aparecida, Goiânia e Senador Canedo, conforme ordens da 11ª Vara Federal Criminal da Justiça Federal. Uma das ordens judiciais foi cumprida na residência do ex-secretário, segundo a PF. No entanto, Thiago Moura nega as acusações.
Outro lado
O ex-secretário Thiago Moura atendeu ao G5News e respondeu aos questionamentos listados no início da reportagem quanto aos preços, supostamente mais caros, pagos pela Saúde durnte a sua gestão.
Moura explica que a realidade mundial mudou drasticamente do ano de 2019 para 2020, quando comandava a Saúde de Canedo.
"Nenhuma empresa nenhuma empresa que vendeu em 2019 fornecia em 2020, em plena pandemia com os mesmos valores. E Reobote não ia entregar com os mesmos valores. Estava em período pandêmico", explicou.
Moura ainda fez questão de ressaltar que ele não fazia compras sozinho, que existia uma equipe para aprovar as compras. Acrescentou ainda que suas contas foram reguladas pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM).
"A gente não comprava nada. ‘Ah o Thiago Moura quer comprar essa’, não. Não é assim. Não funciona assim. Uma cidade com 150 mil habitantes, o secretário de saúde não vai lá e compra com dinheiro, não funciona assim. Eu não compro nada sozinho. Nós tínhamos um uma equipe de aprovação das compras, ela era composta pelo Ministério Público, por funcionários efetivos da pasta, tinha uma equipe durante a pandemia toda que aprovava todas as compras né? Todas as compras foram feitas de forma que essa equipe aprovasse. As compras nossas foram todas reguladas quanto ao Tribunal de Contas dos Municípios, tanto é que minhas contas foram aprovadas sem ressalvas".
O secretário ainda ressaltou que à época, período de pandemia, existia normativa do Governo Federal autorizando a fazer compras emergenciais, já que o processo de licitação é demorado, em alguns casos até quatro meses para concluir todo processo.
"Todo mundo teve que comprar, nós tínhamos a normativa federal com autorização federal para, em alguns casos de itens da pandemia, para fazer preço de licitação porque não havia tempo hábil ali para a gente fazer licitação, tem trâmite de licitação que demora até quatro meses".
Sobre a operação da Polícia Federal, Moura aponta ser alvo "perseguição política".













