Suplente de vereador em Goiânia é preso pela PF por participar da tentativa de golpe em Brasília
O político é um dos líderes bolsonaristas em Goiás, foi candidato a deputado estadual pelo antigo PSL, em 2018, e a vereador pelo DC em 2020

O suplente de vereador em Goiânia, João Paulo Cavalcante, foi preso pela Polícia Federal (PF) na Operação Lesa Pátria, que investiga os envolvidos nos atos extremistas de 8 de janeiro, em Brasília. O político é um dos líderes bolsonaristas em Goiás, foi candidato a deputado estadual pelo antigo PSL, em 2018, e a vereador pelo DC em 2020.
João Paulo aparece em vários vídeos gravados por ele mesmo na Esplanada dos Ministérios, durante a invasão dos Três Poderes. “Galera, hoje, dia 8 de janeiro de 2023, o Brasil faz história. Mais uma vez, milhões de brasileiros indignados com o sistema, demonstrando que a nossa República Federativa não vai cair nas mãos de criminosos”, diz na filmagem.
Segundo informações obtidas com exclusividade pelo G5News, o político foi preso na quinta-feira (17) com a cantora gospel Fernanda Oliver, conhecida por fazer shows em acampamentos bolsonaristas instalados na porta de quarteis em cidades goianas. Na data em questão, a Polícia Federal cumpriu dez mandados de prisão em Goiás, outros quatro estados e no Distrito Federal.
Aliado de Gayer
O detido é amigo pessoal do deputado federal Gustavo Gayer (PL). Ambos trabalharam juntos em eleições anteriores e, em 2022, João Paulo fez campanha para Gayer, segundo mais bem votado em Goiás. Contudo, em maio deste ano, a informação de que Gayer paga com verba da cota parlamentar a empresa de João Paulo, o fez se distanciar de eventos públicos.
Segundo consta no Portal da Transparência da Câmara dos Deputados, Gayer destinou, entre março e maio deste ano, R$ 24 mil da cota parlamentar em serviços prestados para a empresa João Paulo Cavalcante. João Paulo chegou a depor à Polícia Federal após as manifestações.
Os presos nesta fase da operação podem responder por crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa, incitação ao crime, destruição e deterioração ou inutilização de bem especialmente protegido e crimes da lei de terrorismo
Resposta do partido
O G5News entrou em contato com o presidente do DC em Goiás, Alexandre Magalhães, que se mostrou surpreso e alegou não saber da prisão. De acordo com ele, não é um problema partidário, mas de cunho pessoal. “Só em Goiás temos 13 mil filiados. Se a pessoa matou, fez um latrocínio e está filiada ao DC, o que o partido tem a ver com isso?”, argumentou o presidente.
“É uma coisa de cunho pessoal que não precisa de manifestação do partido. Fiquei sabendo agora”, afirmou ao portal. A reportagem também tentou contato com o deputado estadual Fred Rodrigues (DC), mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.















