Kajuru: Cassação de Zambelli é inevitável; com um pouco mais de detalhes Bolsonaro será preso
O hacker detalhou vários encontros que teve com o ex-presidente para tentar provar a fragilidade do sistema eletrônico brasileiro

Depoimento do hacker Walter Delgatti Neto na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro, na manhã desta quinta-feira (17), pode ter caído como um “bomba” no colo de Bolsonaro (PL), já que o investigado afirmou que o ex-presidente lhe prometeu indulto para invadir urnas eletrônicas e assumir um suposto grampo do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Ao G5News, o senador por Goiás, Jorge Kajuru acompanhou o depoimento e avaliou Delgatti como um homem “inteligente” e “preparadíssimo”. Ressaltou ainda que o hacker tinha o benefício de “ficar em silêncio”, mas optou por responder os questionamentos e entregou informações importantes.
“Depoimento dele foi uma bomba. Ele é um sujeito inteligente, preparadíssimo. Para mim não tem como não acontecer a primeira ação, qual é? A cassação da deputada Carla Zambelli ou afastamento dela pelo Supremo Tribunal Federal, correto? A segunda ação, que tem que ser discutida agora, é obter mais provas, aí não há nenhuma dúvida, haverá a prisão do ex-presidente Bolsonaro. A declaração dele, sendo ela verdadeira, e pelo menos senti que ele é, repito, preparado e inteligente, e veio para cá com direito a ficar em silêncio e não está em silêncio, portanto não há dúvida. Destino daqui para a frente é a cassação da deputada Carla Zambelli, para mim não seria nem afastamento, e com um pouquinho mais de detalhes, não há dúvida que haverá a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro”.
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Depoimento
Delgatti disse que encontrou a deputada Carla Zambelli (PL-SP) num posto de gasolina, que ela inseriu um chip num celular "aparentemente novo" e ligou para o então presidente da República. “Segundo ele [Bolsonaro], o grampo já havia sido realizado, com conversas comprometedoras do ministro, e eles queriam que eu assumisse a autoria desse grampo, lembrando que à época eu era o hacker da Lava Jato”, detalhou Delgatti aos parlamentares.
O hacker afirmou ainda que Bolsonaro lhe contou que o grampo havia sido realizado por agentes de outro país e lhe disse: “Fique tranquilo, se por acaso alguém lhe prender eu mando prender o juiz", e deu risada.
Delgatti disse que concordou em assumir o grampo, porque era um pedido do presidente da República.
“Após isso, a deputada [Carla Zambelli] me disse que eu precisava invadir algum sistema de Justiça, ou o TSE [Tribunal Superior Eleitoral] em si, para mostrar a fragilidade do sistema”, relatou o depoente. Em seguida, ele teria invadido os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e de todos os tribunais do País.
Ele afirmou aos integrantes da CPMI que ficou por quatro meses na intranet do CNJ, de todos os tribunais e inclusive do TSE.













