Wilder decide enfrentar Bolsonaro e rejeita aliança com grupo de Caiado
Em discurso direto, o senador rejeitou qualquer aliança com o MDB e com o grupo do vice-governador Daniel Vilela. O recado foi claro para a plateia. O problema é que não foi claro para Brasília.

O senador Wilder Morais (PL) resolveu subir o tom e bater de frente com o próprio partido — e com Jair Bolsonaro. Na manhã deste sábado (24), durante o evento Rota 22, Wilder reafirmou que vai manter a pré-candidatura ao Governo de Goiás, ignorando o rumo que o PL já decidiu tomar nos bastidores.
Em discurso direto, rejeitou qualquer aliança com o MDB e com o grupo do vice-governador Daniel Vilela. Disse que o MDB está “alinhado à esquerda” e que o PL não caminha nesse campo. O recado foi claro para a plateia. O problema é que não foi claro para Brasília.
Dentro do PL, a decisão já está praticamente sacramentada: apoiar Daniel Vilela com o aval de Bolsonaro. E não é por afinidade ideológica, mas por cálculo político. Bolsonaro quer bancada forte na Câmara e no Senado. Deputado eleito vale mais que candidato isolado. Bancada grande garante poder, influência e, principalmente, controle do jogo em Brasília.
Esse controle é estratégico. Um Congresso alinhado abre caminho para pautas sensíveis, como a anistia aos condenados do 8 de janeiro. Se Lula continuar no Planalto, ter maioria legislativa vira questão de sobrevivência política para o bolsonarismo.
Wilder sabe disso tudo. Sabe que não tem maioria no partido, não tem aval de Bolsonaro e não empolga o comando nacional. Mesmo assim, insiste. Diz que vai conversar com Valdemar Costa Neto. Mas Valdemar pensa em números, não em teimosia. Bancada grande significa mais fundão eleitoral e mais poder de barganha.
No fim, Wilder virou voz isolada dentro do próprio PL.

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