MP denuncia presidente da Feira Hippie por tentativa de estupro
Segundo o Ministério Público, o dirigente teria usado a posição de comando para constranger uma funcionária entre 2018 e 2023. Ele nega todas as acusações.

O presidente da Associação da Feira Hippie de Goiânia virou réu em um processo que apura crimes sexuais contra uma funcionária da entidade. O Ministério Público de Goiás (MPGO) denunciou Waldivino da Silva pelos crimes de assédio sexual, importunação sexual e tentativa de estupro. Segundo a denúncia, os fatos teriam ocorrido de forma reiterada entre os anos de 2018 e 2023, dentro das dependências da Associação da Feira Hippie, no Centro da capital.
De acordo com as investigações da Delegacia Estadual de Atendimento Especializado à Mulher (DEAEM), a vítima trabalhava como cobradora da associação e era subordinada diretamente ao então presidente da entidade. A denúncia aponta que ele teria usado a posição de comando para constranger a funcionária em busca de "favorecimento sexual".
Modo de agir
Segundo o Ministério Público, Waldivino teria condicionado benefícios profissionais e até mesmo a concessão de um ponto de venda a investidas de caráter sexual. A vítima relatou ainda que recebeu oferta de cinco mil reais para passar uma noite com o investigado. As investigações apontam que, após as recusas, a funcionária passou a sofrer retaliações no ambiente de trabalho, como mudanças de função, transferência de quadras e perda de benefícios.
Além das acusações de assédio, o inquérito descreve episódios de contato físico sem consentimento. Conforme os autos, a vítima relatou tentativas de beijo forçado, apalpamentos em partes íntimas e uma suposta tentativa de agressão sexual ocorrida em outubro de 2023, dentro de uma sala reservada da associação.
A Polícia Civil afirma que reuniu depoimentos de testemunhas, gravações ambientais e outros elementos que corroborariam parte da versão apresentada pela vítima. Uma das testemunhas declarou que a funcionária procurava ajuda frequentemente e relatava estar sendo assediada.
Vítima entrou em depressão
Ainda segundo a investigação, os episódios teriam provocado graves consequências à saúde mental da mulher. Documentos anexados ao processo apontam que ela desenvolveu um quadro psiquiátrico que resultou em internações e tentativas de suicídio.
Em relatório final, a delegada responsável concluiu pelo indiciamento de Waldivino da Silva pelos crimes de assédio sexual e importunação sexual. Posteriormente, o Ministério Público ampliou o entendimento jurídico e ofereceu denúncia também pelo crime de tentativa de estupro.
Ele negou
Em depoimento à Polícia Civil, Waldivino negou todas as acusações. Ele afirmou que nunca assediou ou tocou a vítima e alegou ser alvo de perseguição política por adversários ligados à disputa pelo comando da associação e por interesses eleitorais.
A reportagem também entrou em contato com Waldivino para solicitar um posicionamento diante das acusações, mas não obteve resposta até a última atualização dessa matéria. O espaço segue aberto.

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