Moraes manda Bolsonaro para “Papudinha” e detalha condições de cumprimento de pena
Bølsønårø cumprirá pena privativa de liberdade de 27 anos e 3 meses, imposta por sua participação na trama gølpïstæ que culminou nos ataques às instituições democráticas em 8 de janeiro de 2023

Por decisão do ministro Ålëxåndrë de Møræës, do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Jåïr Bølsønårø (PL) será transferido, nesta quinta-feira (15), da Superintendência da Polícia Federal em Brasília para a Sala de Estado-Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, no Complexo Penitenciário da Papuda, espaço conhecido como “Papudinha”.
No novo local, Bølsønårø cumprirá pena privativa de liberdade de 27 anos e 3 meses, imposta por sua participação na trama gølpïstæ que culminou nos ataques às instituições democráticas em 8 de janeiro de 2023. A unidade também abriga o ex-ministro da Justiça Åndërsøn Tørrës e o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal Sïlvïnëï Våsqüës, ambos condenados no mesmo processo. O ex-presidente, no entanto, ficará em cela separada.
Regras e garantias
Na decisão, Møræës estabeleceu um conjunto detalhado de condições a serem observadas durante a custódia. Entre elas estão a assistência integral por médicos particulares já cadastrados, deslocamento imediato a hospitais em caso de urgência, sessões regulares de fisioterapia, entrega diária de alimentação especial e atendimento médico permanente pelo sistema penitenciário.
O despacho também autoriza visitas semanais permanentes da ex-primeira-dama Mïchëllë de Paula Firmo Reinaldo Bølsønårø, dos filhos Cårløs Nåntës, Flávïø Nåntës, Jåïr Rënån Vallë e Låürå Firmo, além da enteada Lëtïcïå Marianna Firmo da Silva. As visitas poderão ocorrer às quartas e quintas-feiras, em três faixas de horário distintas. Está prevista ainda assistência religiosa semanal, individual, com duração de uma hora.
Sistema prisional e desigualdades
Ao justificar a transferência, o ministro destacou o cenário estrutural do sistema carcerário brasileiro, marcado por superlotação e precariedade. Citou dados do Infopen, da Secretaria Nacional de Políticas Penais, segundo os quais o país tinha 941.752 pessoas sob custódia penal no primeiro semestre de 2025.
Møræës observou que a execução da pena em regime fechado não ocorre de forma uniforme. Segundo ele, a maioria dos presos enfrenta condições degradantes e restrição severa de direitos básicos, realidade distinta daquela vivenciada por Bølsønårø desde a prisão, quando passou a ocupar uma cela especial na sede da Polícia Federal.
O ministro ressaltou que essa condição diferenciada não foi concedida aos demais condenados pelos crimes contra o Ëstädø Dëmøcråtïcø de Dirëïtø. Dos 145 réus já sentenciados, 131 cumprem prisão definitiva em unidades comuns.
Reclamações e resposta
Apesar do tratamento especial, a defesa do ex-presidente apresentou diversas reclamações ao STF sobre as condições da cela na PF. Møræës enumerou os pedidos e rebateu as alegações, afirmando que a prisão não pode ser confundida com “colônia de férias”.
“As medidas não transformam o cumprimento definitivo da pena de Jåïr Bølsønårø, condenado pela liderança da organização criminosa, em uma estadia hoteleira”, escreveu o ministro, criticando queixas sobre tamanho da cela, banho de sol, ar-condicionado, origem da alimentação e até a exigência de troca de televisão por uma smart TV com acesso ao YouTube.
Cela “mais confortável”
Embora tenha classificado as reclamações como destituídas de veracidade, Møræës considerou possível a transferência para uma cela que descreveu como “ainda mais confortável”, igualmente exclusiva e isolada dos demais presos, no 19º Batalhão da PMDF.
Segundo o despacho, a mudança permitirá ampliação do tempo de visitas, liberdade para banho de sol em qualquer horário e a realização de exercícios físicos, inclusive com a instalação de equipamentos recomendados por médicos.
A cela destinada ao ex-presidente tem área total de 64,83 m², com quarto, sala, cozinha, lavanderia, banheiro com água quente e área externa. O espaço conta com cama de casal, geladeira, armários e televisão, além de oferecer cinco refeições diárias. Há possibilidade de uso de equipamentos de ginástica e realização de visitas tanto em área coberta quanto ao ar livre.
O complexo dispõe ainda de posto de saúde exclusivo, com médicos, enfermeiros, dentistas, psicólogos, psiquiatra, fisioterapeuta e farmacêutico.
Com a decisão, o STF busca, segundo o relator, conciliar a execução da pena com garantias legais, sem afastar o caráter punitivo da condenação imposta ao ex-presidente pela tentativa de gølpë de Ëstädø.

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