Falta de fornecimento provocou desabastecimento de 1,8 milhão de itens na saúde de Goiânia
Ao todo, 29 empresas estão sendo punidas pela Prefeitura, entre multas, advertências e impedimento de participar de novos processos licitatórios.

A Prefeitura de Goiânia passou a adotar medidas mais rigorosas contra empresas que venceram licitações, mas não cumpriram os contratos de fornecimento de medicamentos e insumos para a rede pública de saúde. Em entrevista coletiva, o secretário municipal de Saúde, Luiz Pullizzer, detalhou que a falta de entrega gerou um desabastecimento de aproximadamente 1,8 milhão de itens, impactando diretamente unidades básicas, hospitais e serviços especializados.
Segundo o secretário, muitas empresas vencedoras das licitações entregaram apenas parte do que foi contratado ou, em alguns casos, não entregaram absolutamente nada. Ao todo, 29 empresas estão sendo punidas pela Prefeitura, entre multas, advertências e impedimento de participar de novos processos licitatórios.
Deste total, 15 já tiveram multas publicadas, enquanto 20 empresas já foram formalmente notificadas com algum tipo de penalidade, que pode variar entre advertência, multa ou proibição temporária de contratar com o município. Além disso, cinco ou seis empresas já estão oficialmente impedidas de participar de licitações, com sanções que podem durar até dois anos.
Pullizzer explicou que a multa não exclui outras penalidades. Uma empresa pode ser multada e, ao mesmo tempo, ficar proibida de participar de novos certames. As punições se referem a contratos firmados entre 2021 e 2023, mas já há sanções aplicadas também a empresas da atual gestão. “Já temos duas publicadas da gestão atual e outras sete devem ser publicadas até o final do mês”, informou.
Multas e abastecimento
As multas variam de 10% a 30% do valor dos itens não entregues, levando em consideração o volume, o atraso e o impacto causado à população. Como exemplo, o secretário explicou que uma empresa que deixou de fornecer R$ 2.100 em produtos pode ser multada em até R$ 700, dependendo da gravidade da falha. Ele ressaltou que a Prefeitura não paga por produtos que não são entregues e que a multa sai diretamente do capital da empresa.
“Não saiu nenhum real do município antes da entrega. A multa é uma forma de punição e de advertência pública de que não vamos mais tolerar esse tipo de conduta”, destacou.
Em relação ao abastecimento, o secretário informou que atualmente a rede municipal opera com cerca de 87% de regularidade no estoque, e que a expectativa é alcançar mais de 95% em até 60 dias, com a convocação de empresas classificadas em segundo lugar nas licitações e a abertura de novos processos. Compras emergenciais foram realizadas apenas no início da gestão.
Atualmente, a Secretaria tem priorizado processos regulares e, quando necessário, compras diretas. Um exemplo citado foi a aquisição de R$ 1 milhão em ataduras, suficiente para garantir estoque por até dois anos.
Medicamentos e fornecedores
Entre os medicamentos afetados pela falta de entrega estão itens essenciais para a saúde mental, como clorpromazina e biperideno, cuja ausência gerou atrasos no atendimento e risco de desassistência aos pacientes. Segundo Pullizzer, o problema ocorreu porque a empresa vencedora não entregou os produtos, obrigando o município a acionar a segunda colocada, o que atrasou a reposição.
Hoje, a Prefeitura trabalha com mais de 40 fornecedores. A maioria das empresas penalizadas é formada por distribuidores, que não fabricam os medicamentos, apenas revendem. Muitas são de fora do estado, especialmente de Minas Gerais, São Paulo, Tocantins e Distrito Federal, embora também existam empresas locais na lista. De acordo com o secretário, essas empresas costumam oferecer preços muito baixos, mas não possuem estoque suficiente e acabam pedindo rescisão ou simplesmente não entregando o que foi contratado.
Novos critérios
Para evitar novos problemas, a Secretaria anunciou mudanças nos critérios de habilitação. A partir de agora, as empresas que participarem das licitações deverão comprovar que possuem ao menos 50% do quantitativo licitado em estoque no momento da disputa. A intenção é barrar fornecedores “aventureiros” e priorizar empresas com capacidade real de entrega, inclusive fabricantes, que conseguem fornecer com mais rapidez e preços mais competitivos.
Os nomes das empresas multadas e punidas estão sendo divulgados no Diário Oficial do Município, formando uma espécie de “lista suja” de fornecedores que descumpriram contratos. As publicações começaram na semana passada e continuam sendo atualizadas diariamente.
Pullizzer também negou a existência, até o momento, de indícios de esquema ou ação coordenada entre empresas para prejudicar o município. Segundo ele, caso surjam suspeitas, a apuração caberá aos órgãos competentes, como Ministério Público e Polícia Civil.
A Secretaria reforça que, em caso de novos fracassos em licitações, poderá convocar os segundos colocados, realizar compras emergenciais ou efetuar aquisições diretas, sempre com o objetivo de evitar que a população fique desassistida. “Estamos mostrando que não vamos tolerar mais quem não entrega. O foco é garantir o fornecimento regular e a segurança do paciente”, concluiu o secretário.
Multas aplicadas
As penalidades variam conforme o valor do contrato e o volume de itens não entregues. Entre as empresas mult@d@s estão:
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Open Pharma Comércio de Produtos — R$ 103 mil
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CIMED Distribuidora — R$ 5.530
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MaxLab Produtos Paradiagnósticos — R$ 102
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Stockmed Produtos Médico-Hospitalares — R$ 3.217
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Sumedic Comércio de Medicamentos — R$ 7.500
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Lacerda Material Médico — R$ 10.900
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Laboratório Teuto — R$ 39.500
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Multifarma — R$ 26 mil
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Farpe Indústria — R$ 45.775
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