Empresário goiano viaja à Venezuela, se reúne com presidente interina e conversa com Trump
Joesley teria informado às autoridades do governo de Donald Trump que o ambiente político na Venezuela apresenta sinais de estabilidade após a prisão de Nicolás Maduro.

O empresário brasileiro Joesley Batista, controlador do grupo J&F, fez na última semana uma viagem considerada estratégica entre os Estados Unidos e a Venezuela, atuando como uma espécie de interlocutor informal entre os dois países. Dono de um jatinho executivo, ele saiu de Washington na noite de quinta-feira (8) com destino a Caracas, onde se reuniu com a presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, e retornou aos Estados Unidos na sexta-feira (9), para relatar ao governo norte-americano o cenário encontrado no país sul-americano.
De acordo com fontes que acompanham as tratativas, Joesley teria informado às autoridades do governo de Donald Trump que o ambiente político na Venezuela apresenta sinais de estabilidade após a prisão de Nicolás Maduro, ocorrida em 3 de janeiro de 2026. Antes disso, o empresário teria ido ao país com o objetivo de tentar convencer Maduro a deixar o poder de forma negociada.
A movimentação reforça o papel de bastidor que Joesley vem exercendo em temas ligados à América Latina, região onde está concentrada boa parte das operações do grupo J&F. A empresa mantém forte presença nos Estados Unidos por meio da JBS, maior produtora de alimentos do mundo, que emprega cerca de 70 mil pessoas em território norte-americano, além da Eldorado Brasil, que exporta celulose para o mercado americano.
Embora o grupo já tenha tido negócios com a Venezuela no passado, atualmente não mantém relações comerciais com o país. Mesmo assim, o trânsito de Joesley entre Washington e Caracas ocorreu em meio a discussões diplomáticas sobre o futuro político e econômico venezuelano após a queda de Maduro.
No ano passado, o empresário já havia se reunido pessoalmente com Donald Trump depois do anúncio de tarifas sobre produtos brasileiros, o que consolidou sua aproximação com o governo norte-americano. Pessoas próximas afirmam que Joesley tem defendido a necessidade de estabilidade política na América Latina como fator essencial para a segurança dos investimentos e do comércio internacional.
Procurada, a J&F informou, em nota, que Joesley Batista “não é representante de qualquer governo” e que suas viagens e reuniões ocorrem em caráter estritamente privado.

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