Câmara já havia tomado medidas antes do MP pedir suspensão do concurso; entenda
Câmara afirma que agiu rápido: denúncia foi encaminhada ainda em março ao MP e à banca organizadora para investigação imediata

A crise envolvendo o concurso da Câmara de Goiânia ganhou um novo capítulo nesta semana. Após o Ministério Público de Goiás recomendar a suspensão imediata do certame por suspeitas graves de irregularidades, o Legislativo municipal afirmou que ainda não foi oficialmente notificado, mas garantiu que cumprirá todas as determinações legais assim que for acionado.
Em meio à repercussão das denúncias que colocaram sob suspeita a lisura do concurso público, a Câmara Municipal de Goiânia veio a público se posicionar pela primeira vez. Em nota, o órgão informou que ainda não recebeu formalmente a recomendação expedida pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO), mas reforçou que é “cumpridor das decisões do Judiciário e órgãos de controle”.
Segundo o Legislativo, qualquer manifestação oficial será feita dentro dos prazos estabelecidos assim que a notificação chegar.
A Câmara também destacou que vem adotando medidas desde o surgimento das primeiras denúncias. Por determinação do presidente da Casa, o vereador Romário Policarpo, uma denúncia anônima recebida no dia 30 de março foi imediatamente encaminhada ao Instituto Verbena e ao próprio MP-GO para apuração.
Leia mais
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Entenda o caso
O posicionamento da Câmara ocorre após o Ministério Público recomendar, na quarta-feira (29), a suspensão urgente do concurso por 90 dias. O documento, assinado pelo promotor Astúlio Gonçalves de Souza, aponta uma série de irregularidades consideradas graves.
Entre os problemas mais alarmantes está a suspeita de favorecimento de candidatos com vínculos diretos com a banca organizadora, o Instituto Verbena, ligado à Universidade Federal de Goiás.
Um dos casos mais chocantes envolve o candidato aprovado em 1º lugar para o cargo de administrador, que prestava serviços ao próprio instituto, incluindo a elaboração de questões. Ele também participou de evento institucional dias antes da prova e possui familiares atuando na logística da banca.
Outro exemplo citado é o de uma candidata aprovada para revisor de texto, que teria relação próxima com integrantes da equipe responsável pela revisão das provas.
O Ministério Público afirma ainda que mais de dez candidatos aprovados nas primeiras colocações possuem algum tipo de ligação com o Verbena, com a UFG ou até com a própria Câmara.
Falhas e suspeitas
Além das relações consideradas suspeitas, candidatos relataram falhas graves na segurança durante a aplicação das provas.
Entre os problemas apontados estão ausência de biometria, falta de detectores de metais, desorganização nas salas e até celulares tocando sem que os candidatos fossem eliminados — o que contraria as regras básicas de concursos públicos.
Depoimentos de ex-diretoras do Instituto Verbena reforçaram a preocupação. Segundo elas, o controle de sigilo interno era frágil, com acesso amplo a sistemas e dados sensíveis, o que poderia facilitar vazamentos ou manipulações.
Diante da gravidade do caso, o MP-GO determinou prazo de 10 dias para que a Câmara informe se vai acatar a recomendação de suspensão.
Caso ignore o alerta e siga com a homologação — prevista para 25 de maio —, os gestores poderão responder judicialmente por possíveis danos e omissões.
Enquanto isso, cresce a pressão pública por respostas e transparência, e o concurso, que deveria representar oportunidade, agora virou alvo de desconfiança e crise institucional.
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