Caiado afirma que Milei fez "escândalo" e avisa: "Calma lá. Devagar com o andor que o santo é de barro"
Candidato do PSD afirma que presidente argentino fez escândalo ao atacar autoridades brasileiras e promete resgatar a liturgia do cargo caso seja eleito

Na segunda-feira (27), Caiado já havia condenado qualquer interferência internacional no processo eleitoral brasileiro.
O candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), voltou a endurecer o discurso contra o presidente da Argentina, Javier Milei, e afirmou nesta terça-feira (28) que o líder argentino fez "escândalo" ao participar da convenção nacional do PL. Em sabatina ao Correio Braziliense, o governador licenciado de Goiás também criticou manifestações de autoridades estrangeiras sobre assuntos internos do Brasil, defendeu uma atuação mais institucional do presidente da República e prometeu resgatar a chamada "liturgia do cargo" caso chegue ao Palácio do Planalto.
As declarações ocorrem poucos dias depois de Caiado oficializar sua candidatura à Presidência, no último domingo (26), e na sequência da convenção do PL, realizada no sábado (25), que contou com a presença de Javier Milei. Durante o evento, o presidente argentino atacou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, chamando-o de "lixo careca", após não conseguir autorização para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso sob acusação de tentativa de golpe de Estado.
Na segunda-feira (27), Caiado já havia condenado qualquer interferência internacional no processo eleitoral brasileiro. Segundo ele, "é inadmissível ingerência de qualquer outro país na sua campanha eleitoral", ressaltando que faz parte da responsabilidade institucional de um chefe de Estado manter distância das disputas políticas de outras nações.
"O respeito ao povo que está decidindo sua eleição precisa prevalecer. Cabe a cada país definir quem será seu governante, sem interferências externas", afirmou o candidato.
Na sabatina desta terça, Caiado voltou ao tema e criticou diretamente a postura de Milei e de integrantes do entorno do presidente norte-americano Donald Trump.
"Aí o outro vem aqui, faz escândalo e se acha no direito de xingar presidente e ministro. O outro acha que pode vir aqui dizer como vai auditar as eleições. Calma lá. Devagar com o andor que o santo é de barro", declarou.
O presidenciável também aproveitou para fazer críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defendendo que o ocupante do Palácio do Planalto deve preservar o nível do debate público.
"Você não pode ridicularizar conversas, baixando o patamar da discussão. Não pode dizer: 'Ah, a dentadura dele é melhor do que a do Donald Trump'", afirmou, ao citar uma declaração recente de Lula.
Segundo Caiado, uma eventual gestão comandada por ele terá como prioridade recuperar a "liturgia do cargo", expressão usada para defender uma postura mais institucional da Presidência da República e da diplomacia brasileira.
O candidato ainda direcionou críticas ao Itamaraty, afirmando que a política externa brasileira perdeu protagonismo nos últimos anos e passou a atuar de forma ideológica.
"A liturgia do cargo impõe isso, mas, quando você não tem uma diplomacia brasileira que já foi o maior orgulho para nós… A chancelaria brasileira podia chegar em qualquer grande órgão mundial que era referência. Chegava na ONU e sempre foi vista com muito respeito", declarou.
Para Caiado, o Brasil precisa recuperar o prestígio internacional por meio de uma diplomacia independente e de uma postura institucional, evitando confrontos públicos e interferências em disputas políticas de outros países.
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