“A última vez que trabalhei com o Caiado, a gente derrubou o PT”, diz Renan
Apesar da sinalização favorável a uma aliança, Renan disse que pretende consolidar sua candidatura antes de avançar nas negociações.

O pré-candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) afirmou que está aberto a uma eventual aliança com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) na disputa pelo Palácio do Planalto em 2026. A declaração foi dada durante um evento com investidores em São Paulo, onde o presidenciável também fez duras críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como um de seus principais adversários no campo da direita.
Ao comentar a possibilidade de composições políticas, Renan destacou o histórico de atuação conjunta com Caiado e lembrou a participação de ambos nas mobilizações que culminaram no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. “A última vez que trabalhei com o Caiado, a gente derrubou o PT”, declarou. O pré-candidato afirmou ainda que não descarta conversas com o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, embora tenha criticado o que chamou de alinhamento excessivo ao bolsonarismo.
Apesar da sinalização favorável a uma aliança, Renan disse que pretende consolidar sua candidatura antes de avançar nas negociações. Segundo ele, o crescimento registrado nas pesquisas reforça a estratégia de buscar maior musculatura eleitoral antes de discutir composições. Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana mostrou o pré-candidato com 4% das intenções de voto, desempenho que o coloca tecnicamente empatado com Caiado e à frente de nomes como Zema e Aécio Neves.
Renan atribui o avanço ao baixo índice de rejeição e ao engajamento de apoiadores nas redes sociais. Integrantes do Partido Missão avaliam que a candidatura tende a crescer até o início oficial da campanha, previsto para agosto, tornando-se uma alternativa à polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
Durante o evento, o presidenciável também elevou o tom contra o senador do PL. “Votar no Flávio é votar em bandido”, afirmou. Em seguida, voltou a associar o adversário a escândalos políticos e declarou que não vê possibilidade de aproximação com o grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. “O Flávio Bolsonaro não pode ver um cara envolvido num escândalo. Ele vê um esquema e fala: ‘por favor, me inclua’. Não existe meio gângster”, declarou.
Renan também criticou a atuação do mercado financeiro nos últimos anos, especialmente setores da Faria Lima, que, segundo ele, teriam contribuído para o fortalecimento do bolsonarismo. Apesar disso, afirmou perceber uma mudança de postura entre investidores, que estariam buscando alternativas fora da polarização política tradicional. Nos bastidores do evento, empresários e gestores relataram enxergar maior amadurecimento na pré-candidatura do líder do Missão, ao mesmo tempo em que demonstram preocupação com os desgastes enfrentados por Flávio Bolsonaro em razão de controvérsias recentes.
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