Pós ato de Bolsonaro, Caiado vira dor de cabeça para Lula
Engana-se que pensa que no domingo (25) apenas bolsonaristas estavam naquela multidão fazendo coro com outras 700 mil pessoas para defender o ex-presidente.

A mega manifestação na Avenida Paulista, independentemente se Bolsonaro estará ou não inelegível em 2026, trouxe um duro recado ao presidente Lula e à esquerda brasileira. Os governadores Ronaldo Caiado (União), pré-candidato à presidência da República, e Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, são os pontos altos da preocupação petista.
Para entender melhor o contexto dessa história, basta acompanhar o noticiário nacional, com atenção e, principalmente, os artigos de opinião para compreender o xadrez político ao qual Caiado tem ganhado cada vez mais espaço.
Engana-se que pensa que no domingo (25) apenas bolsonaristas estavam na multidão fazendo coro com outras 700 mil pessoas para defender Bolsonaro.
O mar de gente tinha, de maneira significativa, uma força mobilizacional do bolsonarismo, mas também muitos que estão apenas insatisfeitos com o atual governo.
Um artigo do articulista “Bruno Soller”, publicado no Estadão desta semana, resume muito bem esses eleitores, que abandonaram o bolsonarismo e votaram na esquerda em 2022.
O primeiro deles é a classe A/B1, que agora ameaça dispersão, porque tem visto que Lula não tem cumprido o que prometeu em sua campanha. Esse grupo tinha medo de uma tirania “bolsonarista”.
O segundo, mais numeroso, a chamada classe C2, que pode ser alcunhada de "swing vote brasileiro" e tem mostrado níveis de insatisfação com a conjuntura econômica e de serviços essenciais.
A C2, a mais insatisfeita, se revolta com a perda de renda e serviços, além do aumento desenfreado dos preços dos alimentos, ou seja, a diminuição do seu poder de compra.
Além disso, há algo que afeta esses dois grupos que podem migrar facilmente para um candidato da direita: A segurança pública.
O tema ajudou a eleger Bolsonaro, em 2018, que por ser capitão do Exército e ter um discurso combativo que na época representava uma resposta para o caos.
Atualmente, Ronaldo Caiado tem ganhado cada vez mais espaço justamente com esta pauta. Ao contrário do ex-presidente, o governador de Goiás tem números e trabalho para mostrar. Conta ainda com 90% do estado de Goiás carimbando suas falas de combate à criminalidade.
Enquanto o PT tenta minimizar o aumento da criminalidade na sua gestão, a direita trabalha a pauta. Outro ponto que desagrada à maioria dos eleitores é o fato do partido tentar barrar o Projeto de Lei que proíbe as chamadas “saidinhas de presos” em datas comemorativas.
Muitos trabalhadores estão inconformados.
Em São Paulo, Tarcísio de Freitas tem tentado seguir os passos de Caiado, fazendo uma grande mudança no comando da polícia paulista, invocando oficiais da Rota, polícia de elite, para a alta cúpula da segurança no Estado. A meta é endurecer o combate à criminalidade no estado.
Voltando para Goiás, Caiado tem incomodado tanto, que o presidente Lula tem tentado de todas a formas convencer o União Brasil a não ter candidatura própria. A tentativa deve ser em vão, pois o governador pode disputar em qualquer outro partido de direita que, claro, estão de olho nos seus desempenhos de gestão e articulação política.
Se Lula não reagir sobre estes pontos, em especial, na segurança pública e redução do custo de vida, não conseguirá a reeleição.













