Irã realiza primeiras execuções de presos por protestos de janeiro
O Irã anunciou nesta quinta-feira (19/03) as três primeiras execuções de presos condenados por sua participação nos protestos de massa que ocorreram em janeiro. Os condenados eram acusados de envolvimento na morte de dois agentes de segurança.
Os executados foram identificados como Mehdi Ghasemi, Saleh Mohammadi e Saeid Davudi. Eles foram enforcados na cidade de Qom após serem considerados culpados de assassinato e de realizar ações operacionais em favor de Israel e dos Estados Unidos, segundo a agência Mizan, do Poder Judiciário iraniano.
Os três foram condenados à morte pelo crime de moharebeh, que significa inimizade contra Deus. Este conceito legal é utilizado para punir delitos que ameaçam a segurança pública, o islã e casos de espionagem. A Justiça iraniana afirmou que os condenados atacaram os agentes com armas brancas e confessaram os crimes durante o processo judicial.
As execuções ocorreram após o Supremo Tribunal confirmar as sentenças e depois da conclusão dos procedimentos legais, com a presença de advogados de defesa. A decisão de executar os presos ocorre em um contexto de repressão brutal aos protestos que pediam o fim da República Islâmica.
Os protestos de janeiro resultaram na morte de 3.117 pessoas, segundo o balanço oficial do governo. No entanto, organizações de direitos humanos, como a HRANA, estimam que o número pode ser superior a 7.000. Além disso, cerca de 53 mil manifestantes foram detidos durante as manifestações.
A repressão aos protestos também alimentou as justificativas dos Estados Unidos para ações contra o Irã. Washington tem pressionado o país para reverter a pena de morte em casos relacionados aos protestos. Em janeiro, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, indicou que 800 execuções agendadas foram suspensas devido à diplomacia americana.
Durante o ano de 2025, o Irã executou 1.500 pessoas, segundo dados da ONU, representando um aumento de 50% em relação ao ano anterior. A situação dos direitos humanos no país continua a ser uma preocupação internacional.












