Veja quem são os acusados de roubar quase R$ 1 milhão em esquema sujo na Comurg
Segundo as investigações, o suposto esquema de rachadinha envolvendo acordos extrajudiciais ocorreram entre os anos de 2022 e 2023 na gestão de Rogério Cruz (SD).

Reportagem publicada pelo jornal O Popular, desta quarta-feira (02), mostra que pelo menos cinco empregados da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) afirmaram, em depoimentos à Corregedoria da estatal, que foram coagidos a repassar quase R$ 1 milhão a colegas da própria empresa, num suposto esquema de rachadinha envolvendo acordos extrajudiciais fechados entre 2022 e 2023. As denúncias reforçam indícios de uma rede de extorsão interna que funcionava sob o pretexto de legalidade, com apoio de servidores efetivos e comissionados da autarquia.
Segundo os relatos, os valores desviados eram entregues, em grande parte, ao auxiliar operacional Emerson Marques Brito, servidor efetivo, e ao ex-assessor jurídico Jalles Ferreira de Oliveira, exonerado recentemente. Os dois são apontados como organizadores dos acordos e destinatários dos repasses, que chegavam a 60% do total liberado para os trabalhadores.
Uma das empregadas, responsável pela limpeza urbana, relatou ter recebido R$ 277 mil, mas ficou com apenas R$ 110 mil. O restante teria sido repassado a Emerson, parte via PIX e parte em espécie, após receber dele uma mochila para carregar o dinheiro. A servidora apresentou extratos bancários e relatou que foi pressionada emocionalmente para aceitar o esquema, acreditando que se tratava de um procedimento legítimo.
“Ele dizia que era legal e que o dinheiro ia para os advogados e para a empresa”, relatou.
Outro caso chama ainda mais atenção. Um auxiliar operacional afirmou ter fechado um acordo de R$ 662,7 mil, dividido em três parcelas. No primeiro depósito, o ex-assessor Jalles teria cobrado a entrega em espécie, recebida dentro de uma agência bancária na Avenida T-63. O trabalhador relata que ficou com apenas R$ 265 mil e que passou o restante ao assessor jurídico, sob forte pressão.
Ao todo, a reportagem do O Popular identificou cinco casos com relatos semelhantes já registrados pela Corregedoria, todos com modus operandi parecido: o servidor era procurado por um colega, geralmente ligado à área jurídica ou administrativa, que “ajudava” a viabilizar um acordo extrajudicial com valores vultosos. Após a liberação do dinheiro, era exigido o repasse de até 60% do valor, com a justificativa de que seria destinado aos trâmites legais ou à própria Comurg.
O esquema investigado se soma a outras denúncias que vêm abalando a Comurg desde fevereiro, quando 34 funcionários foram afastados e 6 sindicâncias transformadas em processos administrativos disciplinares (PADs), além de encaminhamentos ao Ministério Público e à Polícia Civil.
Enquanto isso, servidores que denunciaram o caso relatam medo, retaliações e tentativas de intimidação. Ao menos uma funcionária já pediu proteção policial, após ser abordada por ex-auxiliares da companhia.
O que dizem os acusados
Procurados, os acusados negam as denúncias. As defesas de Emerson Marques Brito e Jalles Ferreira de Oliveira afirmam que nenhum dos dois recebeu valores oriundos de acordos extrajudiciais firmados por empregados da Comurg.
Sobre os comprovantes de PIX apresentados por uma das servidoras, Emerson alegou que a transferência se referia a uma suposta dívida pessoal, cujo valor e origem ele não soube precisar. Ele disse ainda que costumava emprestar dinheiro a colegas e que fazia parte de consórcios internos entre servidores. A defesa contestou inclusive a autenticidade do comprovante bancário anexado aos autos da sindicância.
Em relação à visita à casa da jardineira, Emerson confirmou que esteve no local, mas alegou que foi uma visita breve, espontânea e respeitosa, motivada por preocupação pessoal com o estado emocional da colega.
Segundo a defesa, "é inverídica a insinuação de que Emerson teria ido à residência a mando de terceiros ou com o objetivo de intimidar a servidora".
A defesa também negou que Jalles tenha acompanhado Emerson na visita, como relatou a funcionária em seu segundo depoimento.















