Servidora conta que devolveu R$ 166 mil a ex-assessor da Comurg e pede proteção policial por medo de morrer
A mulher afirma que o pagamento ocorreu dentro de uma agência bancária, em frente ao Terminal Bandeiras., em Goiânia. O nome do citado segue em sigilo.

Uma jardineira da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) admitiu ter repassado 60% do valor que recebeu em um acordo extrajudicial com a estatal a um ex-assessor jurídico da companhia. Com medo de morrer, ela pediu proteção policial após ser abordada em casa por ex-auxiliares do órgão.
Ela afirma ter entregado R$ 166 mil ao ex-assessor, após receber R$ 277 mil por diferenças salariais. O pagamento, segundo a funcionária, ocorreu dentro de uma agência bancária, em frente ao Terminal Bandeiras. O ex-advogado teria dito que parte do valor era "do jurídico e da empresa".
A jardineira não está sozinha: pelo menos outros três funcionários também disseram à Corregedoria da Comurg que não ficaram com o valor integral de acordos, somando juntos quase R$ 1,4 milhão, com R$ 755 mil repassados a terceiros.
O caso foi revelado pela TV Anhanguera. Na quinta-feira (26), mais quatro servidores beneficiados com acordos foram afastados. O escândalo já resultou em 34 sindicâncias, das quais seis foram enviadas ao Ministério Público e à Polícia Civil.
Entre os elementos que chamaram atenção estão os valores elevados, rapidez dos trâmites internos, desaparecimento de documentos e denúncias de rachadinha, supostamente articuladas por aliados políticos da gestão anterior da Comurg, ligada ao prefeito Rogério Cruz (SD).
Os acordos extrajudiciais foram firmados entre 2022 e 2023, sob o pretexto de evitar ações judiciais por gratificações suspensas e desvio de função, inclusive de gestões passadas. A atual diretoria alegava que isso geraria economia aos cofres públicos.
Em novo depoimento, já com outro advogado, a jardineira afirmou que foi orientada inicialmente a mentir e dizer que havia recebido tudo. O novo defensor — agora advogado também de outros três denunciantes — teria garantido a ela segurança jurídica para contar a verdade.
Outro servidor, auxiliar operacional, declarou ter resistido ao repasse, mas sofreu ameaças veladas sobre a permanência no emprego. Ele também fez o saque e repasse dentro de uma agência bancária.













