Com "cabidão" de emprego vetado, vice vira oposição a Machadinho e quer vaga na Alego
Desentendimento com prefeito ocorreu após a Bia Martins exigir espaço para indicar parentes e amigos para cargos estratégicos na atual gestão.

Em Uruaçu, a política parece novela: cheia de alianças por interesse, brigas e reviravoltas. A última temporada tem como protagonista a vice-prefeita Bia Martins (PP), que começou como aliada do prefeito Machadinho (MDB) e agora ensaia voos solos — de olho em uma cadeira de deputada estadual.
A história começou em 2024, quando Machadinho, favorito nas urnas, chamou Bia para ser sua vice. A aliança parecia sólida, mas bastou a eleição passar para a realidade aparecer. Conhecida nos bastidores por um temperamento difícil, Bia logo mostrou que queria mais do que um lugar de vice na prefeitura: queria mandar. E, de preferência, com espaço para indicar parentes e amigos para cargos estratégicos. Ou seja, queria criar um verdadeiro "cabidão" de empregos no Paço.
Só que Machadinho não gostou da pressão. Resultado? Clima azedou. A vice passou a criticar decisões do prefeito, a falar mal nos bastidores e agora, nas redes sociais, já se posiciona como oposição.
Ambição é boa, mas sem apoio político vira sonho. E Bia hoje está isolada. Brigada com Machadinho e inimiga declarada do ex-prefeito Valmir Pedro, a pergunta que se faz na cidade é simples: de onde ela acha que vai tirar votos para se eleger deputada?
E tem mais: o passado da vice-prefeita não é exatamente um mar de flores. Em 2021, ainda como vereadora, ela foi alvo da operação "Falsas Intenções", suspeita de intermediar exames falsos e distribuir medicamentos controlados em troca de votos.
A Polícia Civil encontrou até um exame onde uma mulher foi diagnosticada com problema na próstata — um detalhe que deixou claro que nem atendimento médico havia de verdade.
Na época, medicamentos de tarja preta, guias do SUS e até computadores foram apreendidos na casa de Bia. Apesar das investigações, ela se reelegeu vereadora em 2020 — e depois virou vice.
Agora, querendo dar um salto ainda maior na carreira política, Bia terá que enfrentar um obstáculo difícil: a própria ficha.
Em política, a memória do eleitor pode até ser curta, mas escândalos assim costumam ficar grudados feito chiclete velho na sola do sapato.
Em Uruaçu, todo mundo já sabe: quem briga com todo mundo acaba sobrando sozinho na festa.















