Renan Santos escolhe "casa de rock" em Goiânia para lançar proposta ousada sobre terras raras
Segundo o pré-candidato, o Brasil não deve limitar sua participação no mercado global à exportação de matéria-prima.

Renan declarou que o acesso às reservas brasileiras deverá estar condicionado à transferência de tecnologia e à produção de componentes industriais em território nacional.
O pré-candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) reuniu apoiadores em um pub no Setor Bela Vista, em Goiânia, na noite de domingo (19), onde apresentou propostas para a exploração das reservas brasileiras de terras raras. Durante o encontro, o presidenciável afirmou que, se eleito, pretende suspender os acordos envolvendo esses minerais estratégicos até que sejam estabelecidas novas condições para sua exploração.
Sem citar quais contratos ou negociações pretende interromper, Renan declarou que o acesso às reservas brasileiras deverá estar condicionado à transferência de tecnologia e à produção de componentes industriais em território nacional.
“Hoje, quando se fala em terras raras, você tem grupos econômicos dos mais baixos, ligados a grandes bancos e a políticos se apropriando deles, e correndo para fazer negócio com os gringos. Eu, como presidente, vou brecar absolutamente tudo. O plano nacional de terras raras tem que passar necessariamente por um plano geopolítico que passe pela industrialização do Brasil”, afirmou.
Segundo o pré-candidato, o Brasil não deve limitar sua participação no mercado global à exportação de matéria-prima. Para ele, o país precisa utilizar o potencial de suas reservas como instrumento para atrair investimentos em tecnologia e consolidar uma cadeia industrial de alto valor agregado.
“Hoje, tendo 20% das reservas globais, boa parte delas aqui em Goiás, nós temos que olhar para os Estados Unidos, para o Japão, para a Europa e avisar: aqui é a única oportunidade que vocês têm de ter acesso a isso. Só que eu quero a tecnologia e produzir esses componentes aqui”, declarou.
Terras raras em Goiás
O tema ganha relevância especialmente em Goiás, onde está localizada a mineradora Serra Verde, em Minaçu. A empresa é a única fora da Ásia a produzir, em escala comercial, os quatro principais elementos magnéticos de terras raras utilizados em tecnologias limpas, como veículos elétricos e turbinas eólicas. Recentemente, a companhia foi adquirida pela USA Rare Earth por cerca de US$ 2,8 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 14 bilhões.
As chamadas terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos considerados essenciais para a fabricação de equipamentos de alta tecnologia. Apesar de relativamente abundantes na crosta terrestre, sua extração e separação exigem processos complexos, tornando esses minerais estratégicos para setores como energia renovável, indústria eletrônica, defesa e mobilidade elétrica.
Em Minaçu, a Serra Verde extrai neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, elementos fundamentais para a produção de ímãs permanentes de alta eficiência. Com o Brasil detendo a segunda maior reserva mundial de terras raras, especialistas apontam que o desenvolvimento da cadeia de refino e industrialização poderá ampliar o valor agregado da produção nacional e reduzir a dependência de mercados externos.
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