Paris Filmes rejeita distribuir filme sobre Bolsonaro e produção busca novo parceiro
Responsável pelo projeto, a produtora Go Up informou que as negociações para definir a distribuição continuam em andamento.

A informação foi confirmada após a empresa analisar a proposta apresentada pelos responsáveis pelo longa.
A Paris Filmes, uma das principais distribuidoras de cinema do Brasil e da América Latina, decidiu não assumir a distribuição de "Dark Horse", produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A informação foi confirmada após a empresa analisar a proposta apresentada pelos responsáveis pelo longa.
Apesar da negativa, os produtores mantêm a previsão de lançamento para 5 de novembro, poucos dias após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Inicialmente, a estreia estava prevista para ocorrer antes do pleito. No entanto, dificuldades financeiras enfrentadas na fase final da produção e preocupações relacionadas aos possíveis reflexos políticos da obra na disputa presidencial levaram ao adiamento.
Responsável pelo projeto, a produtora Go Up informou que as negociações para definir a distribuição continuam em andamento. Segundo a empresa, outras distribuidoras estão sendo avaliadas e ainda não há contrato firmado para a exibição comercial do filme.
“Estamos analisando, junto aos parceiros do projeto, as melhores alternativas para o lançamento”, afirmou a empresária Karina Gama, proprietária da produtora.
Em nota, a Paris Filmes confirmou que avaliou a possibilidade de distribuir a obra, mas optou por não seguir adiante.
“A empresa foi procurada para analisar eventual interesse comercial na distribuição do filme. Após avaliação interna, decidiu não avançar com o projeto. Não existe negociação em curso, compromisso firmado ou contrato relacionado ao longa”, informou a distribuidora.
Produção enfrenta resistência
Além dos desafios para encontrar uma distribuidora, o filme tem enfrentado questionamentos no mercado audiovisual e no meio político.
A controvérsia ganhou força após revelações sobre o financiamento da produção. Parte dos recursos teria sido vinculada ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, atualmente preso sob acusação de liderar uma organização criminosa.
Reportagens publicadas nos últimos meses apontaram ainda a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em tratativas relacionadas ao projeto, incluindo cobranças sobre pagamentos ligados à produção.
Ações na Justiça
O longa também se tornou alvo de disputas judiciais. O grupo Prerrogativas protocolou uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a suspensão da exibição da obra até o fim do processo eleitoral. Os autores argumentam que o filme poderia caracterizar propaganda eleitoral antecipada e irregular, além de levantar suspeitas de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação.
Paralelamente, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para que sejam investigadas as fontes de financiamento do projeto. Entre os pedidos está a apuração de eventual utilização de recursos ligados ao filme para custear despesas do deputado federal Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Enquanto as discussões seguem nos tribunais e nos bastidores do mercado cinematográfico, os produtores trabalham para viabilizar a distribuição nacional e manter o cronograma de lançamento previsto para novembro.














