Federação de PP e União Brasil deve abandonar Flávio e liberar palanques
Crise nos bastidores, aliados insatisfeitos e pressão dos estados empurram federação para a neutralidade, deixando Flávio Bolsonaro sem o apoio nacional que esperava

A única exceção pode ser São Paulo. Lideranças do Progressistas defendem uma aproximação com Flávio Bolsonaro.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta um novo revés na corrida pelo Palácio do Planalto. A federação formada por Progressistas (PP) e União Brasil caminha para não declarar apoio à sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026 e deve liberar os diretórios estaduais para escolherem seus próprios palanques.
A decisão ganhou força após uma sequência de desgastes nos bastidores e da pressão de lideranças estaduais, que rejeitam atrelar a federação a um único projeto nacional. A avaliação é que cada estado deve ter liberdade para montar suas alianças de acordo com a realidade local, sem comprometer as estratégias regionais.
A federação, criada neste ano e que obriga PP e União Brasil a atuarem juntos por pelo menos quatro anos, vê na neutralidade a saída para evitar conflitos internos e reduzir possíveis prejuízos eleitorais em estados onde o cenário político é diferente da disputa presidencial.
O clima azedou de vez entre Flávio Bolsonaro e o Progressistas após o presidente nacional da legenda, senador Ciro Nogueira (PP-PI), passar a ser investigado pela Polícia Federal em um caso envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Nos bastidores, integrantes do partido esperavam um gesto público de solidariedade do senador do PL, mas a manifestação nunca veio.
O desgaste surpreendeu dirigentes, já que, antes da crise, havia conversas para que Ciro Nogueira integrasse uma eventual chapa presidencial de Flávio Bolsonaro como candidato a vice-presidente. Hoje, esse cenário perdeu força.
No União Brasil, o ambiente também ficou tenso depois da prisão do ex-prefeito de Belford Roxo (RJ), Márcio Canella, aliado político de Flávio Bolsonaro e pré-candidato ao Senado. Ele foi preso durante uma operação da Polícia Federal após um fuzil ser encontrado no porta-malas do veículo em que estava. Mais uma vez, lideranças da legenda esperavam uma manifestação pública do senador, que acabou não acontecendo.
Além das rusgas internas, parlamentares, principalmente das regiões Norte e Nordeste, intensificaram a pressão para que a federação mantenha uma posição neutra. O receio é que um apoio oficial a Flávio Bolsonaro dificulte alianças regionais e atrapalhe campanhas em estados onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém forte aprovação.
Com isso, a tendência é que cada diretório estadual fique livre para negociar apoios e montar suas estratégias eleitorais sem seguir uma orientação nacional da federação.
A única exceção pode ser São Paulo. Lideranças do Progressistas defendem uma aproximação com Flávio Bolsonaro por acreditarem que isso fortaleceria a pré-candidatura do secretário estadual da Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP), ao Senado.
A aposta dos dirigentes paulistas é que, enquanto o deputado estadual André do Prado (PL) deve contar com o apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), Flávio Bolsonaro concentre sua força política na campanha de Derrite, aumentando suas chances na disputa pelas duas vagas ao Senado em 2026.
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