Ex-secretária de Educação afirma ser vítima de violência de gênero; professor rebate
Fátima Gavioli quebrou o silêncio após audiência de conciliação terminar sem acordo na Justiça

O clima político e sindical na área da educação em Goiás subiu de tom nesta semana após uma audiência de conciliação na Justiça colocar em lados opostos a ex-secretária de Estado da Educação, Fátima Gavioli, e o professor e opositor sindical João Coelho. O embate, que envolve acusações graves de calúnia, violência de gênero e adoecimento de servidores, foi exposto publicamente por ambas as partes em vídeos de esclarecimento nas redes sociais.
De um lado, a ex-secretária e professora aposentada afirma estar sendo alvo de uma campanha de difamação cruel que a responsabiliza pela morte de um colega de profissão. Do outro, lideranças da categoria rebatem as declarações, alegando que a gestão dela à frente da pasta foi marcada por rigidez excessiva e prejuízos financeiros aos trabalhadores.
O lado de Fátima Gavioli: "Não quero dinheiro, quero justiça"
Em um longo desabafo gravado para os seus seguidores, Fátima Gavioli afirmou que, ao longo dos oito anos em que esteve na vitrine da gestão pública em Goiás, enfrentou episódios sistemáticos de violência.
"Há muitos anos venho sofrendo violência de gênero contra minha gestão, contra minha pessoa, calúnia e difamação. Infelizmente, isso faz parte do cargo que eu estava ocupando", desabafou a ex-secretária.
O estopim para o processo judicial foi a veiculação de vídeos que a culpam diretamente pelo suicídio de um professor da rede estadual. "Eu sou acusada da morte de um professor que, infelizmente, por questões psicossociais e socioemocionais, tirou a própria vida. Toda vez que um professor faz isso, todos sentem muito. Algumas pessoas fizeram vídeos me acusando de ser a pessoa que provocou tudo isso", pontuou.
Gavioli revelou que tentou um acordo pacífico na audiência de conciliação realizada recentemente, abrindo mão de qualquer indenização financeira em troca de um pedido de desculpas público e do fim dos ataques, o que foi recusado pelo réu. Ela aproveitou para criticar a postura do opositor: "Esse senhor disse que não, que quer prosseguir com a ação. E essa semana ele está pedindo PIX para os servidores da educação. Além de ser alguém que não contribui muito, é alguém que quer tirar o seu dinheiro fruto do seu suor", disparou.
O lado dos professores: "Não quer lidar com as consequências"
A resposta do setor de oposição veio por meio do professor João Coelho. Ele rebateu duramente o uso do termo "violência de gênero" por parte da ex-gestora e argumentou que a insatisfação da categoria é reflexo das políticas duras implementadas durante o mandato de Gavioli na secretaria.
"A pré-candidata agora diz que sofre violência de gênero, sendo que foi uma das pessoas que mais praticou esse tipo de violência. O que a Fátima não deseja é lidar com as consequências de decisões que ela tomou lá atrás", afirmou João Coelho.
De acordo com o professor, milhares de docentes enfrentaram anos de extrema sobrecarga de trabalho, adoecimento psicológico e cortes severos no orçamento familiar devido às regras de assiduidade e licenças adotadas na rede estadual.
Como exemplo, Coelho citou uma das principais queixas dos servidores da educação em Goiás. "Em Goiás, se alguém fica doente, tem corte de 30% do salário. Muita gente tem trabalhado doente por conta desse corte... Isso é desumano", protestou o professor, justificando que as críticas feitas à ex-secretária fazem parte de uma cobrança política e humanitária pelos direitos da categoria, e não de um ataque pessoal.
O processo judicial entre as partes segue em tramitação regular na Justiça goiana, e o caso deve ganhar novos desdobramentos com a fase de instrução e julgamento, uma vez que a tentativa de acordo foi oficialmente rejeitada.
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