Erika Hilton pode assumir Comissão da Mulher na Câmara
Hilton será a primeira mulher trans a ocupar a presidência da comissão desde sua criação.

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) deverá ser escolhida para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na próxima semana, em votação interna do colegiado. A indicação foi feita em acordo com outros partidos e, se confirmada, Hilton será a primeira mulher trans a ocupar a presidência da comissão desde sua criação.
A parlamentar pretende usar o novo cargo para ampliar o debate sobre políticas públicas de gênero e incluir permanentemente na agenda o tema do transfeminicídio — termo que descreve assassinatos de mulheres trans e travestis em contexto de gênero e ódio.
Segundo dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), o Brasil segue como um dos países com maior número de assassinatos de pessoas trans no mundo: foram registrados 80 casos em 2025, acima da maioria das nações. Embora inferior ao total de 2024, com 122 mortes, o número mantém o país no topo do ranking global há quase duas décadas.
Pauta social e trabalhista
Além da agenda de direitos humanos e igualdade de gênero, Erika Hilton é autora de uma das principais propostas em debate no Congresso: uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, uma prática que impõe seis dias de trabalho com apenas um de descanso.
A PEC, que já tem tramitação na Câmara, busca alterar o modelo vigente de jornada laboral — a discussão avançou em comissões e deve ser um dos temas centrais da atuação de Hilton ao longo do ano.
Caso seja aprovada na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, a presidência vai fortalecer a voz de Hilton na articulação dessas pautas junto a outras bancadas e partidos.













