“Com show todo mundo vai”, dizem bolsonaristas, que tinham ônibus e marmita bancados pelo agro

Bolsonaristas tentam minimizar os protestos que tomaram conta do país contra a PEC da Bandidagem e o PL da Anistia, alegando que manifestações com shows atraem público de qualquer jeito. Nas redes sociais, extremistas atacaram os atos, dizendo que a presença de artistas explica a grande adesão.
O discurso, porém, ignora que diversos atos bolsonaristas — inclusive os que antecederam o 8 de Janeiro — foram financiados por empresários do agronegócio, com caravanas, transporte e alimentação pagos para levar extremistas até Brasília. Diferente do que afirmam agora, não foi a “espontaneidade popular”, mas sim a estrutura bancada por aliados endinheirados que inflou muitas das mobilizações da extrema-direita.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ecoou esse tom ao compartilhar publicação do pastor Silas Malafaia, que acusou a esquerda de “enganar o povo”.
Mesmo assim, os protestos do domingo (21) tiveram grande alcance, ocorrendo de manhã em Brasília, Salvador, Maceió, Natal, São Luís, Teresina, João Pessoa, Belo Horizonte, Cuiabá, Campo Grande, Manaus e Belém. À tarde, ganharam força em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória, Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, Fortaleza, Recife, Aracaju e Goiânia.
Os manifestantes criticaram duramente o ex-presidente Jair Bolsonaro e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Já no Senado, onde a PEC tramita agora, o relator Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou que a proposta “joga a imagem do Legislativo no lixo” e prometeu apresentar parecer contrário na CCJ nesta quarta-feira (24).












