Auditoria federal expõe rombo e caos deixados por Cruz
O documento registra que o prefeito Sandro Mabel herdou uma rede em colapso e já iniciou medidas para reorganizar contratos, corrigir falhas administrativas e criar novos mecanismos de controle, tentando reverter os prejuízos

Uma auditoria do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS), órgão do Ministério da Saúde, aponta o cenário de descaso, desorganização e falhas graves na gestão da saúde pública de Goiânia durante a administração do ex-prefeito Rogério Cruz (SD). O relatório confirma que a crise que atingiu maternidades da capital não foi pontual, mas resultado de problemas acumulados entre 2021 e 2024.
A auditoria analisou a situação de três unidades estratégicas da rede municipal: o Hospital e Maternidade Dona Íris, o Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara e a Maternidade Nascer Cidadão. O documento registra que essas unidades chegaram a suspender atendimentos eletivos e funcionar apenas com urgência e emergência por falta de repasses financeiros da Prefeitura, situação que se repetiu ao menos quatro vezes em dois anos.
Segundo o relatório, a crise se agravou com a redução drástica dos repasses mensais, que caíram de R$ 20,6 milhões para R$ 12,3 milhões, provocando o fechamento ou suspensão de serviços essenciais como Centro de Parto Normal, sala de vacinas, odontologia neonatal, registro civil e testes de triagem neonatal.
A auditoria também é contundente ao afirmar que a Secretaria Municipal de Saúde descumpriu contratos, liberando recursos públicos sem análise adequada das prestações de contas da Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas (FUNDAHC), responsável pela gestão das unidades. O próprio relatório classifica a situação como “não conforme”, apontando falhas graves de controle e fiscalização.
Durante inspeções, os auditores encontraram infraestrutura precária, recém-nascidos internados de forma inadequada, equipes incompletas e dificuldade de acesso dos pais às UTIs neonatais, além de leitos ociosos por falta de repasse financeiro.
O documento ainda revela que a desorganização foi tamanha que nem o próprio município conseguiu apresentar dados consolidados sobre os recursos federais recebidos, o que inviabilizou uma fiscalização financeira completa.
Com a mudança de gestão, o relatório registra que o atual prefeito Sandro Mabel (UB) herdou uma rede em colapso e já iniciou medidas para reorganizar contratos, corrigir falhas administrativas e criar novos mecanismos de controle, tentando reverter os prejuízos deixados pela gestão anterior.
A auditoria também prevê, em etapa posterior, a avaliação de possíveis valores a serem devolvidos ao Ministério da Saúde, caso sejam confirmados gastos indevidos ou aplicações irregulares de recursos federais.













