Ana Paula endossa Michelle e alfineta Flávio às vésperas de agenda em Goiânia
Em vídeo institucional gravado em Goiás, nova aliada reforça discurso sobre protagonismo feminino e expõe racha interno da sigla.

Recentemente filiada ao Partido Liberal, Ana Paula Rezende gravou um vídeo institucional para o PL Mulher de Goiás, que está sendo interpretado como uma clara indireta ao senador Flávio Bolsonaro. O episódio ocorre em um momento de forte fricção interna e às vésperas de compromissos oficiais com o pré-candidato da sigla à Presidência da República.
No vídeo, Ana Paula enfatiza a importância de dar espaço e voz às lideranças femininas nas tomadas de decisões partidárias.
"Quando a mulher participa das decisões, toda a sociedade fica mais forte. E é por isso que queremos mais mulheres ocupando espaços, contribuindo com ideias e ajudando a construir o futuro", declarou Ana Paula.
A fala mexe diretamente em uma ferida aberta no partido: a exclusão de lideranças femininas de posições de destaque para favorecer acordos políticos conduzidos pela ala masculina da legenda.
Entenda a briga entre Michelle e Flávio e o contexto da indireta
A declaração de Ana Paula Rezende ecoa cirurgicamente o desabafo feito pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na última quarta-feira (24). Michelle expôs publicamente um racha com o enteado motivado por costuras políticas no Ceará.
Segundo a presidente nacional do PL Mulher, Flávio a teria hostilizado por telefone após ela se posicionar contra uma aliança com Ciro Gomes (PSDB). Michelle relatou que o senador foi ríspido e afirmou que ela "havia chegado ontem e não entendia nada de política", sugerindo que ela ficasse de fora das decisões partidárias.
O estopim para a revolta de Michelle foi a estratégia adotada por Flávio e pelo deputado André Fernandes (PL-CE), que preteriram o nome da vereadora Priscila Costa — atual vice-presidente do PL Mulher e aliada de Michelle — na disputa por uma vaga ao Senado. Para agradar à composição local, a vaga foi destinada ao deputado estadual Alcides Fernandes, pai de André. No centro da discussão, a ex-primeira-dama pontuou o pragmatismo da ala de Flávio, que preferiu se aliar a um antigo desafeto da família — Ciro Gomes, a quem ela acusa de ser um dos responsáveis pela inelegibilidade de Jair Bolsonaro — em vez de valorizar os nomes femininos do próprio partido.
Flávio Bolsonaro tentou panos quentes nas redes sociais, pedindo desculpas caso tivesse magoado a madrasta e justificando que a família passa por um momento difícil. No entanto, internamente, dirigentes do PL avaliam que Michelle extrapolou os limites e que defende um "preciosismo ideológico que não vence eleição". De acordo com caciques da sigla, o próprio Jair Bolsonaro endossou os acordos costurados por Flávio, enxergando na articulação política do filho mais velho a principal engrenagem para tentar reverter sua situação jurídica.
Ao reforçar em seu vídeo que as mulheres precisam "participar das decisões" e "ocupar espaços", Ana Paula Rezende não apenas endossou o discurso de Michelle, mas mandou um recado direto a Flávio Bolsonaro e à cúpula do PL: o público feminino do partido não aceitará o papel de coadjuvante na engrenagem eleitoral.
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