Alego vira alvo nacional após explosão de comissionados e levanta suspeitas de “cabidão” em Goiás
Levantamento aponta 5.874 servidores comissionados para 41 deputados estaduais em Goiás. Média chega a 143 cargos sem concurso por parlamentar e coloca a Assembleia goiana no topo de ranking nacional negativamente

A Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) virou destaque nacional, em reportagem da Folha de São Paulo, após aparecer no topo de um ranking que mede a quantidade de servidores comissionados em relação ao número de deputados estaduais. O levantamento colocou o Legislativo goiano em primeiro lugar no país e acendeu críticas sobre o uso de dinheiro público, além de levantar suspeitas de que a Casa estaria funcionando, supostamente, como espaço para “cabidão de empregos” e distribuição de favores políticos.
A repercussão ganhou força após a divulgação dos números que colocaram Goiás em posição considerada constrangedora.
“É o típico ranking que a gente não gostaria de estar em primeiro lugar”, destacou a análise sobre o levantamento.
Segundo os dados divulgados, a Alego possui exatos 5.874 cargos comissionados para atender 41 deputados estaduais. Na prática, isso significa uma média de 143 servidores sem concurso público para cada parlamentar — índice que supera com folga a média registrada na Câmara dos Deputados, onde existe limite de até 25 cargos por gabinete.
A dimensão dos números chamou atenção não apenas pelo volume de funcionários, mas também pela comparação com a estrutura física da Casa. Conforme a análise apresentada, cada deputado dispõe de gabinetes com cerca de 100 metros quadrados.
A projeção feita a partir dos dados aponta que, caso todos os servidores lotados aparecessem simultaneamente para trabalhar nos gabinetes, o espaço seria insuficiente.
“Cada um dos servidores teria menos de 1 metro quadrado para circular”, destacou o levantamento.
A exposição nacional provocou forte repercussão negativa para Goiás, principalmente por envolver gastos públicos e questionamentos sobre a real necessidade da estrutura administrativa montada na Assembleia. O caso reacendeu o debate sobre transparência, critérios de nomeação e o tamanho das estruturas comissionadas nos legislativos estaduais brasileiros.












