PF prende empresária de Goiânia que movimentou R$ 45 milhões com esquema de brasileiros nos EUA
Maria Helena foi presa no Setor Jaó, em Goiânia, suspeita de comandar quadrilha há mais de 20 anos; grupo teria enviado quase 500 brasileiros ilegalmente aos Estados Unidos

A Polícia Federal deflagrou uma megaoperação contra quadrilhas especializadas em levar brasileiros ilegalmente para os Estados Unidos e prendeu sete suspeitos apontados como chefes dos esquemas criminosos. Entre os alvos está a empresária goiana Maria Helena de Souza Neto Costa, presa dentro de casa no Setor Jaó, em Goiânia, apontada pelos investigadores como uma das principais líderes da organização.
Segundo a PF, Maria Helena atuava havia mais de vinte anos no envio clandestino de brasileiros para território americano e teria movimentado mais de R$ 45 milhões com a atividade ilegal. As investigações revelaram ainda que as cinco quadrilhas alvo da operação movimentaram, juntas, cerca de R$ 240 milhões entre 2018 e 2023.
A investigação começou a ganhar força em 2022, quando um grupo de passageiros prestes a embarcar em um aeroporto de São Paulo levantou suspeitas dos agentes federais. Durante o interrogatório, os viajantes citaram o nome de Maria Helena. A partir daí, a empresária passou a ser monitorada pela Polícia Federal.
Com as quebras de sigilo telefônico e bancário, os investigadores descobriram o suposto funcionamento do esquema. Além da prisão de Maria Helena, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão contra o marido dela e também no endereço da filha, Aline Neto Leão, no Setor Bueno, em Goiânia.
Maria Helena é sogra do governador de Goiás, Daniel Vilela. Apesar da relação familiar, a Polícia Federal destacou que a investigação não envolve o governador nem a esposa dele, Ara Neto Vilela.
Além das prisões em Goiânia, dois líderes da organização criminosa investigados no Amapá não foram localizados e tiveram os nomes incluídos na lista de procurados da Interpol.
A PF afirma que ao menos 477 brasileiros foram enviados ilegalmente para os Estados Unidos nos últimos anos, mas o número pode chegar a 600 pessoas. Os presos passaram por audiência de custódia nesta quinta-feira e foram levados para o Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia.
Os investigados devem responder por promoção de migração ilegal, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Somadas, as penas podem chegar a 23 anos de prisão.
Em um dos processos obtidos pela reportagem, aparecem transcrições de mensagens atribuídas a Maria Helena. Em uma conversa com a esposa de um homem que teria pago mais de US$ 20 mil — cerca de R$ 100 mil — para entrar ilegalmente nos Estados Unidos, ela descreve detalhes do trajeto clandestino.
“Eles estão na metade do caminho ainda, reclamando que andaram muito, mas é assim. É um caminho que você anda, mas chega. Quando eu ponho o meu dinheiro na frente, o caminho que eu ponho é esse, porque esse caminho chega a 97%”, diz um trecho da mensagem atribuída à empresária.
Outro lado
A defesa de Maria Helena afirmou que aguarda acesso integral à investigação para fazer uma análise técnica do caso. O advogado Luiz Inácio Medeiros declarou que a prisão preventiva foi desnecessária e informou que vai pedir a liberdade da empresária.
A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Aline Neto Leão.
Em nota, o Governo de Goiás afirmou que o caso “não tem absolutamente nenhuma relação” com o governador Daniel Vilela e nem com a esposa dele. Segundo o comunicado, os fatos investigados pela Polícia Federal ocorreriam desde meados dos anos 2000 e não envolvem o governo estadual em nenhum momento.
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