Bandidos roubavam cargas de combustíveis no Nordeste e vendiam a empresários de GO
Criminosos prendiam os motoristas até pegarem todo o carregamento. Além disso, tiravam foto da CNH para ameaçar a família da vítima

Uma operação conjunta entre a Polícia Civil, por meio da Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas (Decar), a Polícia Militar e a Polícia Rodoviária Federal, desmantelou uma organização criminosa que roubava, especialmente, cargas de combustíveis, além de alimentos. O grupo atuava no Nordeste brasileiro, mas começou a migrar para Minas Gerais e Tocantins, cometendo alguns roubos em Goiás.
As carga eram trazidas para o Estado goiano e vendidas a empresários que compravam os combustíveis com valores bem abaixo do mercado. A escolha se deu também devido a facilidade de escoamento para o restante do País. O prejuízo é estimado em mais de R$ 80 milhões.
Dois mandados de prisão temporária contra líderes do grupo foram cumpridos na manhã desta quarta-feira (22), além de 14 de busca e apreensão. Um supermercado usado para lavagem de dinheiro foi um dos alvos. A Secretaria de Economia foi ao local para averiguar os produtos, que seriam oriundos dos roubos ocorridos em rodovias estaduais e federais. O dono do estabelecimento compareceu à delegacia para prestar depoimento e foi liberado. Ele já havia sido preso por outros crimes.
Segundo as investigações, os criminosos conseguiam informações privilegiadas que partiam, muitas vezes, dos distribuidores das cargas. Com isso, sabiam a rota, os pontos de parada, o valor e o conteúdo do carregamento. Em tempo real, o assaltante era informado por mensagens de áudio sobre o exato local em que o motorista do caminhão estaria passando.
Em um carro de passeio, os criminosos seguiam o veículo e, quando a vítima reduzia a velocidade durante a subida, davam a voz de assalto, ameaçando o motorista com o uso de arma de fogo.
O grupo, então, conduzia o trabalhador até estradas vicinais, onde fazia o roubo da carga. O motorista ficava em cárcere privado até eles pegarem todo o carregamento. Como forma de intimidação, os criminosos tiravam fotos da carteira de habilitação (CNH) da vítima e afirmavam que, em caso de denúncia, eles iriam atrás de sua família.
De acordo com o delegado Alexandre Bruno de Barros, o grupo agia com muita violência. Dois líderes do grupo criminoso eram, inclusive, conhecidos por fazer ameaças a policiais de outros estados que os investigavam.
Em áudios, eles apontavam as ações dos policiais em determinados locais onde não poderiam passar. "Não desce não, de jeito nenhum, tá lotado de polícia", diz um dos criminosos. Segundo o inspector da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Newton Morais, eles fugiam das rodovias federais para escapar da fiscalização.
Outros seis membros da organização criminosa foram presos durante a operação, que durou cerca de dois anos. Os dois suspeitos detidos nesta quarta-feira (22) se encontram no presídio de Anápolis. A força-tarefa procura agora um dos líderes do grupo, que está foragido, e outro membro, além dos intermediadores e receptadores das cargas roubadas.

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